Já completa uma semana a ''greve'' dos alunos do Colégio Estadual Adélia Dionísio Barbosa, no Conjunto Parigot de Souza 3 (Zona Norte de Londrina). Embora continuem comparecendo à escola, as turmas do período noturno estão deixando de assistir às aulas, em protesto contra mudança no horário de saída dos estudantes.
A aluna Giliane Marcelino da Cruz, 17 anos, do 3º ano de ensino médio, contou que desde que entrou no colégio, há três anos, as aulas sempre começaram às 19 horas e terminaram às 22h50. Há pouco mais de uma semana, entretanto, os estudantes foram avisados de que teriam de sair às 23h10, para atender à carga-horária estabelecida pela Secretaria de Estado de Educação (Seed). Os alunos rejeitaram o prolongamento do horário, alegando que, quanto mais tarde voltarem para casa, mais riscos correm.
''Nosso colégio está localizado em uma região que é perigosa à noite. Em volta da escola tem mato alto, falta iluminação e há pessoas usando drogas. Já houve casos de assaltos e alunas estupradas ao retornar para casa'', relatou Giliane. A representante dos alunos garantiu que vinte minutos ''fazem muita diferença'' para eles, especialmente os que residem mais distantes da escola e têm que ir embora de ônibus ou a pé. Prova do consenso em torno do problema, segundo Giliane, é que menos de 10 dos 400 jovens do período noturno não quiseram aderir ao movimento contra a mudança do horário.
A coordenadora do setor de infra-estrutura do Núcleo Regional de Educação (NRE), Cleuza Barbosa, disse ter recebido com surpresa a notícia da ''greve estudantil''. ''O aluno é o maior prejudicado com a perda da carga-horária. A lei determina que haja três aulas de 50 minutos e duas de 45 minutos (quatro horas no total)'', apontou. De acordo com Cleuza, a ordem para que o horário fosse cumprido pelo colégio foi reforçada pelo NRE após o recebimento de denúncias anônimas. ''O processo está na Ouvidoria do núcleo. Mas, independente disso, se os alunos estavam saindo às 22h50, estava errado'', certificou.
A vice-diretora do colégio Adélia Barbosa, Tânia Maria Lopes, afirmou que a escola vinha liberando os estudantes mais cedo por se preocupar com a segurança deles. ''Ontem (anteontem) houve dois assassinatos aqui na região, à luz do dia. Imagine o que pode acontecer com uma moça que sai às 23h10'', ponderou. Para ela, a questão do horário tem de ser rediscutida abertamente, pois ''todas as escolas, e até mesmo faculdades, fazem o mesmo'', algumas liberando os alunos até antes. ''Nenhum escola em sã consciência vai expôr a vida dos estudantes'', asseverou.
Sobre a possibilidade de antecipar o horário de entrada das turmas, ventilada pela coordenadora do NRE, Tânia adiantou que a idéia não é aceita pela comunidade escolar porque muitos alunos trabalham à tarde e chegariam atrasados. ''Estamos estudando a proposta de reduzir o tempo do intervalo, mas seriam apenas cinco minutos'', completou. Em reunião com os pais realizada anteontem à noite, a escola optou por aguardar uma resposta formal do NRE ao pedido de adequação do horário. Os alunos disseram que irão prosseguir com a paralisação das atividades.

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