Wiebke Jager veio da Alemanha há dez meses e já sabe falar português fluentemente. A belga Julie Baltus também aprendeu a nossa língua logo que chegou aqui, há nove meses. No último sábado, as duas garotas participaram de um show de talentos de um grupo de jovens intercambistas durante a Conferência Internacional do Rotary Club, na Casa da Amizade, Zona Sul de Londrina.
A apresentação, explicou uma das coordenadoras de intercâmbio do Rotary Valci Aires Neto, serviu de despedida para os 34 intercambistas que chegaram ao Brasil em agosto do ano passado e devem retornar aos seus países de origem em junho.
Wiebke tem apenas 16 anos e escolheu visitar o Brasil porque queria conhecer uma cultura diferente. Das terras brasileiras ela gostou da paisagem e da alegria das pessoas. ''Na Alemanha as pessoas são mais sérias'', constatou.
Cursando o terceiro ano do ensino médio no Colégio Londrinense, a estudante alemã pensa em fazer uma faculdade de línguas quando voltar para casa. ''Sempre falo que o intercâmbio é uma experiência única de vida'', definiu Wiebke, que mora no pequeno povoado de Strothe, a duas horas de Frankfurt.
Aos 19 anos, Julie também pensa em estudar línguas ou, quem sabe, psicologia quando retornar à cidadezinha de Fraiture, na Bélgica. Ela escolheu Arapongas para experimentar o que é ser brasileira e admitiu ser impossível comparar as duas cidades, tamanha a diferença dimensional e cultural. ''Vocês acham Arapongas pequena, mas é muito grande perto da minha cidade, que tem só 500 habitantes'', comentou.
Para ela, a comida e o ''gesto caloroso'' do povo brasileiro foram o que mais a encantaram no País. ''Acostumar-se com a rotina da família brasileira foi difícil porque a diferença de costumes é muito grande'', confessou a estudante, que deve voltar para casa no mês que vem.
Segundo o coordenador de intercâmbio do Rotary, Milton Vizoni, podem participar do intercâmbio jovens com idade entre 15 e 16 anos e meio, filhos ou não de rotarianos. Os estudantes se inscrevem nos clubes do Rotary e passam por um teste classificatório, com prova oral e grade escolar. As inscrições ocorrem sempre no mês de julho e a escolha do intercambista é feita em agosto.
Desde 1971, mais de 200 londrinenses já visitaram outros continentes por meio do programa de intercâmbio do Rotary, criado no pós-guerra para diminuir a diferença entre os povos e promover a paz.
A londrinense Elen Lucy Piccinin viveu durante um ano na Finlândia. Na época, ela tinha 17 anos e já cursava a faculdade de comércio exterior. Para ela, a diferença climática foi a experiência mais difícil, mas também a mais interessante. ''Gostei muito da comida e do modo de vida do finlandês. Eles sabem viver bem'', avaliou.
Segundo Elen, participar de um intercâmbio acrescenta muito à vida de qualquer pessoa. ''Cresci muito. Antes de viajar, nunca tinha nem saído da casa da minha mãe.''
Para a rotariana, a troca de experiências com outros intercambistas durante a viagem também foi enriquecedora. ''Aprendemos um pouco sobre outras culturas, além dos costumes do país onde estamos, e percebemos que somos mais parecidos uns com os outros do que imaginávamos.''

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