Alunos especiais fazem 'show' em escola pública
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quinta-feira, 26 de agosto de 2004
Jacira Werle<br>Reportagem Local 
Fazer sanduíches, fritar batatas além de também ajudar na limpeza. Assim é a rotina de trabalho de Sandra Regina Gabriel, 27 anos, portadora de necessidades especiais. Ela trabalha há 10 anos em uma grande rede de lanchonetes e, segundo o gerente de plantão, Rômulo Henrique Berbert, '' ela é uma funcionária como qualquer outra.''
Sandra revela que foi difícil se adaptar ao trabalho no início. '' Agora já tiro de letra,'' afirma. Ela revela que precisa ficar atenta pois como faz um pouco de tudo deve ter agilidade para ora montar um sanduíche, depois ir fritar batatas e assim por diante. '' Tive uma oportunidade e me esforço para conseguir manter o pique,'' ressalta. Sandra conta ainda que tem vários amigos no trabalho. Com o salário recebido, ela ajuda a mãe, com quem mora. Nas horas de folga, Sandra revela que gosta de brincar com o sobrinho.
Na tarde de ontem, a escola municipal Sônia Parreira Debei, no Residencial do Café (Zona Norte) foi palco de apresentações de taekondo e jazz feitas por estudantes portadores de necessidades especiais. Ao todo, 13 adolescentes alunos da Escola Vaga-Lume mostraram desenvoltura e força durante os números. Cerca de 150 alunos de primeira a quarta séries assistiram a apresentação. Caroline Carvalho, da 2 série, viu a exibição. Ela disse que gostou do que viu e de também de conhecer amigos diferentes.
Segundo a terapeuta ocupacional da escola Vaga-Lume, Thais Helena Honório Garcia, a dança e o esporte são atividades que ajudam a ensinar os alunos a ter disciplina, aprender a respeitar ordens, além de servir para a socialização das crianças.
De acordo com a diretora da escola Parreira Debei, Girlene Inácio Noveli, muitos alunos nunca tinham tido contato com os portadores de necessidades especiais. Para ela, a ocasião foi ''uma oportunidade para os alunos conhecerem e saberem como lidar com alguém especial,''.
Segundo a coordenadora do setor profissionalizante do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece), Vera Lúcia Mello, a integração dos alunos especiais à sociedade está melhorando. Segundo ela, '' a escola e a família precisam trabalhar juntas para conseguir resultados.'' Ela contabiliza que em 2003, oito pessoas formam inseridas no mercado de trabalho. Este ano ninguém foi contratado ainda. ''Precisamos ter cuidado para indicar a pessoa certa para cada vaga. Não podemos decepcionar o empregador e precisamos indicar uma pessoa preparada para o emprego,'' reforça. Vera finaliza dizendo acreditar que '' a era do preconceito acabou''.


