Alunos entregam armas de brinquedo à PF
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segunda-feira, 02 de maio de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
Heróis de capa e espada ou rápidos no gatilho ainda fazem sucesso nas tardes domingueiras de TV, mas não inspiram tanto as brincadeiras infantis. No duelo da sociedade contra a violência, o poder das armas é coisa só para o cinema. Na realidade o que as crianças querem é paz.
Foi com esse objetivo que 92 alunos do ensino fundamental e de classes especiais da Escola Vagalume fizeram ontem pela manhã a entrega de armas de brinquedo à Delegacia da Polícia Federal de Londrina (PF). Nem de longe a garotada conhece heróis como os de bangue-bangue ou o interplanetário Buck Rogers, que encheu a TV de efeitos especiais e tiros de laser, mas sabem que brincar com armas mesmo as de brinquedo não está com nada.
''Usar armas faz a pessoa se esbravejar, provocar brigas, assaltos, enfim...'' Aluno de uma das salas especiais da Vagalume, Renan Fonseca Gonçalves, 14 anos, resumiu em poucas palavras o que os estudantes aprenderam durante 15 dias em que estudaram temas como ''desarmamento'' e ''drogas''.
Sem capa mas com espada, sem nave espacial e com armas que imitam as dos filmes de ficções, as crianças trocaram revólveres e espingardas de brinquedo por doces e uma cartilha.
Ao aderirem mesmo que de brincadeira à campanha nacional de desarmamento, os estudantes lembraram a importância da conscientização que apenas em Londrina fez com que 3.501 armas fossem entregues à PF até o mês de abril. Deste total, 2.253 revólveres, 155 pistolas, 986 espingardas, 104 carabinas e três fuzis deixaram de oferecer riscos à sociedade.
''Tivemos a visita de uma assistente social da Casa de Custódia na escola, que falou sobre a importância de cuidar dos presos para que não voltem para a rua e cometam mais delitos. Foi chocante o relato dela'', destacou a diretora da Vagalume, Silvia Crusiol, acrescentando que a escola tem 160 alunos e que a internet foi uma ferramenta importante no trabalho de pesquisa dos estudantes sobre desarmamento.
A lição aprendida em sala de aula também foi tarefa de casa, sendo que os pais das crianças da 1 série ajudaram os filhos na seleção de palavras para um acróstico em que as palavras ''vida'', ''amor'', ''paz'' e ''amizade'', formaram ''desarmamento''.
A importância do combate às drogas apareceu numa espécie de livro gigante feito pelos alunos, inclusive com amostras de alguns entorpecentes como o ecstasy, maconha e cocaína.
O delegado-chefe substituto da PF de Londrina, Pedro Paulo de Figueiredo, recebeu os visitantes, que tiveram a primeira aula de cidadania ao desembararem do ônibus, acompanhando o hasteamento da bandeira. ''A atitude é muito boa para a sociedade. Ao entregarem armas de brinquedo, inconscientemente aprendem que podem ferir ou matar as pessoas'', afirmou o delegado.
Nem bem entregou o revólver de brinquedo que ganhou do avô, Otávio da Cunha Calixto, 6 anos, não esperou chamar para brincar com os colegas numa das viaturas da PF. A lição surtiu efeito já que, depois de conhecer o minúsculo espaço reservado aos detentos num camburão, ninguém quis fazer o papel de bandido. O que mais se ouviu entre a gurizada foi: ''Teje preso''.


