Alunos enfrentam falta de livros didáticos
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domingo, 12 de março de 2006
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Na seção de cartas da Folha da última quinta-feira, o servidor público Aldo Boaretto Netto, de Tamarana (62 quilômetros ao sul de Londrina), demonstrou sua indignação com o fato da filha não ter recebido, até agora, livros didáticos para estudar. Aluna da 8ªsérie do único colégio estadual do município, o Maria Cintra de Alcântara, a garota só tem manuseado os livros em sala de aula, pois como não existe número suficiente para todos os alunos, eles ficam na escola. Segundo o servidor, o problema não é novo. No ano passado, eram dois ou mais alunos por
livro.
A diretora da escola, Juliane Aparecida de Paula, confirma o problema. Este ano tivemos uma 7ªe uma 8ªséries a mais, e não tínhamos reserva de livros. Além disso, muitos alunos que passam de uma série para outra ou que abandonam a escola não devolvem os livros didáticos, apesar de toda a campanha feita pelo governo neste sentido. Segundo a diretora, a escola foi cadastrada em sistema existente na internet para tentar conseguir exemplares que estejam sobrando em outras escolas. Mas não é fácil, muitas escolas têm medo de cederem os livros e mais tarde eles fazerem falta.
Juliane explicou ainda que os professores é que levam os livros para sala de aula, e os alunos só podem utilizá-los em casa quando há alguma atividade especial, a pedido do professor. Mas nada pode ser escrito em suas páginas. Pedimos que todas as atividades sejam feitas no
caderno.
Para Boaretto Netto, isso faz o aluno perder muito tempo e compromete a qualidade do ensino. O governo fala tanto que está acabando com o analfabetismo mas não fornece o material mínimo necessário para uma boa educação. Acabar com o analfabetismo não é só ensinar a escrever o nome, critica.
Segundo a coordenadora da equipe de ensino do Núcleo Regional de Educação (NRE), Maria Isabel Felix, alguns títulos têm reserva técnica, mas nem sempre os livros que estão disponíveis são os adotados pela escola. O problema, segundo a coordenadora, é nacional.
Maria Isabel lembrou que no caso do ensino médio, o governo do Estado distribuiu, no início do ano passado, livros de Português e Matemática, que ao final do ano letivo são entregues na escola para que outros alunos usem. No caso das demais disciplinas, os pais ainda se vêem obrigados a comprar o material didático. Como apoio, os professores ainda têm o livro didático público, material elaborado pelos professores da rede e que ficará disponível na internet, contendo todo o conteúdo previsto nas orientações curriculares.


