Os alunos, pais, professores e funcionários da Escola Municipal Eugênio Brugin, no Conjunto São Lourenço (zona sul de Londrina), realizaram ontem dois protestos (pela manhã e à tarde) contra os arrombamentos e furtos na instituição. Somente neste ano foram seis ocorrências: os ladrões levaram computadores, materiais esportivo, pedagógico e de planejamento dos professores, alimentos, panelas e cilindro de gás.
Luiza Stasun, de 19 anos, é irmã de Guilherme, aluno do primeiro ano da escola. Ela participou da passeata e relatou que o sentimento de ver a escola em que seu irmão estuda ser alvo tantas vezes é indescritível. "É um sentimento de desgosto em ver as pessoas serem desrespeitadas. Infelizmente, acredito que são pessoas que moram no próprio bairro e que fazem isso. Na minha opinião, 99% das pessoas que moram aqui no bairro são boas, mas esse 1% faz coisas erradas. Eu já fui roubada aqui", critica.
A mãe do aluno, Dagret Stasun, afirma que indignação é a palavra mais correta para definir o que os pais dos alunos estão sentindo. "Meu filho adora a merenda de lá e as professoras são muito caprichosas. Meu filho está no primeiro ano e ainda não entende por que alguém entra na escola para levar a comida dele, mas ao saber disso ele ficou muito impressionado", relata.
A diretora da escola, Joselita Fritz, era a que estava mais desconsolada ontem. "Foram seis arrombamentos somente este ano, mas no fim do ano passado já havíamos sofrido um assalto. A escola já trabalha com pouco material e poucos computadores e levaram os que tinham na biblioteca e na sala de recursos, que atende pessoas com laudo de hiperatividade", conta, acrescentando que ao prejuízo se somam as oito portas arrombadas. "Levaram a carne e outros alimentos. Para servir a merenda para as crianças só tínhamos macarrão e precisamos emprestar panelas para poder servir alguma coisa", enumerou.
Segundo a diretora, todas as ocorrências foram reportadas à polícia e foi registrado boletim de ocorrência. "Mas não adianta nada. Soube por um pai de aluno que tinha um homem tentando vender as panelas roubadas. A gente está fazendo conscientização da população, que isso pode afetar a todos. A gente pede ajuda para a Secretaria de educação, mas não dá tempo de fazer alguma coisa, porque é mais de um arrombamento por mês", afirma.

Projeto
O secretário de Defesa Social, Rubens Guimarães, afirma que a Secretaria de Educação ainda não repassou este caso para a sua pasta. "Vou pedir para a minha equipe dar uma checada e ver se a escola é monitorada pela ProGuarda (serviço de vigilância); preciso ver essa situação para ver quais providências tomar", afirma.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informa que a escola possui alarme monitorado, sistema de câmeras e frequentemente solicita patrulhamento para a GM para reforçar a segurança.
Uma das ações propostas pela Secretaria de Educação é incluir a instituição no projeto Escola acolhedora, que tem como finalidade aproximar a comunidade da escola, fazendo com que pais, alunos e ex-alunos sintam-se parte da escola. "Para tanto a unidade escolar deverá em breve ofertar atividades para toda comunidade em horários alternativos (cursos noturnos e atividades no fim de semana)", informa a assessoria da secretaria.

mockup