Kraw PenasHá 17 dias em greve, professores levaram trabalhos para o CalçadãoUm pouco tímido, mas bem curioso, o eletricista Manuel Laguna se aproximou do professor de Química José Carlos Bianchi e perguntou: ‘‘Como funciona essa bateria?’’ O professor respondeu: ‘‘É uma pilha feita pelos alunos da escola onde leciono’’. Segue-se uma explicação de como o gerador de energia elétrica funciona. O eletricista vai embora sabendo como reagem os metais para a pilha funcionar, mas sem saber que participou de um protesto feito por professores e alunos do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), uma manifestação diferente realizada ontem, das 10h às 14 horas, na Boca Maldita, em Curitiba.
Ao invés de palavras de ordem, faixas e bandeiras que lembrassem a greve por reposição salarial, que já dura 17 dias, e a discordância com as políticas do governo federal, eles levaram ao Calçadão da Rua da Flores uma mostra dos trabalhos realizados na escola.
Os professores estão sem aumento salarial desde janeiro de 1995, fato que gerou a greve iniciada em 31 de março. Os alunos e professores também não concordam com as mudanças curriculares que mudam o caráter do Cefet. ‘‘Vai se tornar um modelo do Senai, com cursos voltados para as empresas’’, reclama Luiz Fernando Mello, estudante do curso de Edificações e diretor do Grêmio estudantil do Cefet, que apóia a greve dos professores.
O argumento dos professores, segundo o presidente do Sindocefet/PR (Seção Sindical dos Docentes do Cefet/PR), Ivo Pereira de Queiroz, é que as políticas adotadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com relação ao ensino são ‘‘uma violência contra a classe e a educação’’.
Os professores estão sem aumento salarial desde janeiro de 1995, fato que gerou a greve iniciada em 31 de março. Hoje 33 das 52 universidades ligadas ao Sindocefet nacional estão paralisadas. Os alunos e professores também não concordam com as mudanças curriculares que mudam o caráter do Cefet. Ao invés das matérias práticas e teóricas serem lecionadas juntas como agora, serão ministradas em cursos separados. ‘‘Vai se tornar um modelo do Senai, com cursos voltados para as empresas’’, reclama Luiz Fernando Mello, estudante do curso de Edificações e diretor do Grêmio Estudantil do Cefet, que apóia a greve dos mestres.
Na pauta de reivindicações dos professores encaminhada ao governo federal, três ítens são destacados por Queiroz. O primeiro é o aumento dos salários. Depois, a abertura de concurso para a contratação de professores. Segundo Queiroz, muitos educadores adiantaram a aposentadoria por causa da reforma na Previdência e outros, em virtude dos baixos salários, rumaram para escolas particulares.
O terceiro ponto é a retirada do plano de incentivo à docência. Pode parecer estranho um professor de Filosofia reclamar de um plano de incentivo à categoria, mas Queiroz acredita que o plano quebra a isonomia, segundo a qual dois professores que têm a mesma função devem receber salários idênticos.

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