Alunos doam brinquedos para colegas menores
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sexta-feira, 08 de outubro de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Garrafas pet e bolinhas de gude. Materiais simples, que custam quase nada. Na tarde de ontem, porém, crianças de uma escola da periferia de Londrina mostraram que, com imaginação e uma boa pitada de solidariedade, eles podem se transformar em matéria-prima de alegria. Alunos da 5 à 8 série da Escola Estadual Dr. Olavo Garcia Ferreira da Silva, no Conjunto Avelino Vieira (Zona Oeste) se uniram e, numa espécie de mutirão, construíram 420 ''passa-bolinhas'', que foram entregues aos colegas menores, da 1 à 4 série. Para a maioria, o único brinquedo que deverão ganhar neste Dia das Crianças.
A idéia foi das próprias crianças, depois de terem aulas sobre questões ambientais e aprenderem as vantagens da coleta seletiva. Em duas semanas, recolheram mil garrafas pet, juntaram um bom volume de burquinhas e puseram mãos à obra. Com as pontas das garrafas e as tampinhas, ainda fizeram 200 biblioquês que foram doados ao Centro de Educação Infantil do bairro.
Durante a entrega, um dos mais empolgados era Antonio Marcos Machado, 17 anos, aluno da 7 série. Ele ficou encarregado de falar em nome dos que construíram os brinquedos, e com a mesma simplicidade que permeia o dia-a-dia de cada um dos pequenos estudantes que aguardavam anciosos pelo brinde, disse: ''Nossa intenção foi fazer alguma coisa para que o Dia das Crianças de vocês não passasse em branco. Foi tudo feito com muito carinho, para agradar vocês.'' Sem saber, Antonio fez uma declaração de solidariedade.
Minutos depois, a quadra da escola foi tomada pelos sons do vidro batendo no plástico duro, e expressões de esforço para encaixar as bolinhas no pequeno buraco se apoderaram das dezenas de carinhas. Suelen Amanda da Silva Elias, de 6 anos, abriu um sorriso quando encaixou a última bolinha. ''Consegui!'', disse, como quem desvendasse um grande mistério. Ao seu lado, André Alves Rocha, 7 anos, também não desgrudava os olhos do novo brinquedo. ''No ano passado não ganhei nada'', revelou.
Felizes, Antonio e os colegas garantiram que a experiência deve se repetir nos próximos anos. E explicou por quê: ''Todo mundo se sente bem ajudando crianças.''


