Eliana Arruda de Andrade (esq.), que recebeu kits para os filhos gêmeos, ao lado de Sandra Maria de Souza, da ASA: . "Neste ano eu não teria condições de comprar nem um lápis"
Eliana Arruda de Andrade (esq.), que recebeu kits para os filhos gêmeos, ao lado de Sandra Maria de Souza, da ASA: . "Neste ano eu não teria condições de comprar nem um lápis" | Foto: Gina Mardones



No dia 30 de janeiro, a FOLHA publicou uma matéria na qual a ASA (Ação Solidária Adventista) pedia a colaboração da comunidade para arrecadar material escolar para 25 crianças do Residencial Vista Bela (zona norte de Londrina). Na segunda-feira (4), quando começaram as aulas na rede municipal, 53 meninos e meninas foram para a escola levando a lista completa de materiais e um sorriso no rosto. Graças à solidariedade da população, a entidade conseguiu atender mais do que o dobro de crianças cadastradas, mas ainda há outras 12 esperando pelos kits.

"Quando a gente começou a receber as doações para as 25 crianças cadastradas, outras mães ficaram sabendo e vieram nos procurar. Teve gente até do conjunto Maria Cecília (zona norte) que veio pedir doação de material, mas nós só atendemos pessoas daqui do bairro", contou a presidente da ASA no Vista Bela, Sandra Maria de Souza. Mesmo restrita ao Vista Bela, a lista cresceu e logo continha 65 nomes. Nesta quinta-feira (7), 53 já haviam levado os kits para casa.

Os gêmeos Ana Júlia e Lucas, de nove anos de idade, foram duas das crianças assistidas. Além de todo o material escolar, eles ganharam também mochilas novas e foram para a escola motivados. "Nunca comprei a lista toda de material para os meus filhos. Teve ano que eu cheguei a comprar metade da lista pedida pela escola e, ainda assim, para dividir para os dois. Mas neste ano eu não teria condições de comprar nem um lápis. Se não fosse essa ajuda, eles nem iriam para a escola", contou a mãe, Eliana Arruda de Andrade. Ela já trabalhou como camareira, zeladora, auxiliar de serviços gerais, sempre com carteira registrada. Mas se queixa que, nos últimos tempos, tem sido cada vez mais difícil conseguir emprego fixo. O marido, que é pedreiro e em outros tempos chegou a dispensar trabalho por não dar conta da demanda, também está sem serviço há meses.

Dos oito filhos do casal, quatro são menores de idade e ainda vivem com o pai e a mãe. Para sustentar a família de seis pessoas, Andrade faz artesanato como forma de complementar a renda do Bolsa Família, de R$ 160 no total. "Já cheguei a ganhar R$ 440 de Bolsa Família, mas o benefício foi diminuindo, diminuindo e agora está em R$ 160. Para uma família de seis pessoas, não dá para nada. Dou graças a Deus por meus filhos estarem estudando de manhã neste ano porque pelo menos eles tomam o café da manhã na escola", disse.

A ASA é mantida pela Igreja Adventista e desenvolve trabalhos de ação social junto às comunidades. No Vista Bela, o bairro mais populoso de Londrina, onde vivem mais de 12 mil pessoas, demandas não faltam. As primeiras 25 crianças cadastradas para receber material escolar são filhos de mães assistidas pela ASA ao longo de todo ano. Além da ajuda material, como doações de roupas, calçados e alimentos, as mulheres recebem auxílio jurídico e apoio emocional. Uma vez por semana, durante uma hora e meia, elas se encontram na Igreja Adventista do bairro para conversarem e se fortalecerem emocionalmente.

Souza também pretende iniciar projetos que garantam renda às famílias e a intenção é dar início em breve ao clube de mães, com cursos de pintura em tecido, crochê e pequenos trabalhos de costura. Para isso, espera doações, que podem ser linhas, agulhas, tintas, retalhos de tecidos e uma máquina de costura. "Podemos produzir peças para serem vendidas em uma feirinha. Qualquer dinheiro que entrar já ajuda muito", disse Souza.

SERVIÇO - Quem quiser colaborar com mais kits escolares ou com outras doações para a ASA pode entrar em contato com Sandra Maria de Souza, pelo telefone (43) 98499-3348. O telefone de Eliana Arruda de Andrade é (43) 98485-6225

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