Quarenta alunos da 8ª série do Colégio Marista de Maringá assumiram ontem o lugar dos professores e deram aulas de educação religiosa, artística, saúde e solidariedade para as crianças carentes do Núcleo Social Papa João XXIII, uma escola da periferia que atende 120 estudantes do bairro Vila Vardelina. O objetivo dos irmãos maristas, segundo o coordenador Antônio Frigo, é um retorno às fontes iniciais da fisolofia marista, implantada por Champagnat em 1889 na França, que tinha como objetivo básico a educação de crianças carentes. ‘‘Não se sabe por que os maristas elitizaram o ensino, mas este convênio com escolas carentes mostra que eles estão dispostos a reverter o processo, a retornar às origens’’, afirma Frigo. A mensalidade do Marista custa R$ 150,00.
Os próprios alunos pagam o custo do transporte até as escolas da periferia. ‘‘Eles gostam porque se sentem úteis à sociedade, eles acabam fazendo amizade com as crianças mais pobres’’, explica Frigo.
A turma de 40 alunos é dividida em quatro. Cada uma fica com uma matéria. Depois, eles fazem um relatório, que receberá nota dos professores. A turma liderada pela aluna Vínia Prado, de 18 anos, ficou responsável pela aula de educação artística. A aula foi preparada com antecedência. ‘‘Me sinto bastante útil fazendo isto. Aproveito para fazer amizade com as outras crianças e conhecer um pouco do outro lado da vida’’.
Lívia, João Alfredo (14 anos), Caroliny Marra (15), Yara Rocanello (14), Paula Iuri (14), Gabriel Jabour (15), Marcielo Catore (14) e Thaís Garcia (15) distribuíram massas de modelar para a criançada entre 7 e 10 anos do Núcleo Social. O objetivo era o conhecimento de si próprio através do trabalho manual.
Adriele, 8 anos, fez uma perereca: ‘‘Gosto da perereca porque ela é feia’’. Dailse, 10 anos, fez um pão francês: ‘‘Porque adoro o pãozinho que minha mãe faz em casa’’. Johnny modelou uma bicicleta, ‘‘porque é gostoso de andar’’. E Dayse fez uma boneca, ‘‘porque gostaria de ter uma bem bonita’’.

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