Londrina – Cerca de 80 estudantes do Instituto Londrinense para Educação de Surdos (Iles) realizaram um ato público no Calçadão de Londrina ontem de manhã para lembrar o Dia do Surdo, celebrado hoje. Com faixas e bexigas, crianças e adolescentes acompanhados de pais e professores lembraram a importância do ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e pediram o fim do preconceito.
A luta pela integração dos surdos na sociedade é permanente, como explicou a dona de casa Márcia Mendes, mãe de Giovani, de 10 anos. A família mora na cidade de Cafeara, a 100 km de Londrina. Todos os dias, mãe e filho pegam a estrada para que Giovani seja atendido pela instituição.
"Quando ele estudava lá em Cafeara, não conseguia fazer nada. O Giovani veio para cá e se desenvolveu muito. Antes ele era quieto, não sabia nenhuma letra do alfabeto; hoje é craque em matemática. Nós levantamos às 3h30 da manhã todos os dias, mas é muito gratificante", comemorou Márcia.
Para ela, a falta de preparo dos professores nas salas de aula do ensino público dificulta a integração entre as crianças com deficiência auditiva. O motorista Miguel de Souza, pai do Lucas, de 14 anos, também participou do ato público e lembrou a dificuldade para encontrar uma escola para o filho. "Foi muito difícil no começo. As escolas foram rejeitando até que nós encontrarmos o Iles. A gente vê que o preconceito existe porque a criança com problema de surdez tem dificuldades de comunicação e acaba ficando isolada", comentou.

CAPACIDADE
Os alunos caminharam pelo Calçadão e chamaram a atenção de quem passava pelo centro de Londrina. A professora Helaine Rampazzo, que trabalha há mais de 15 anos no Iles, afirmou que os desafios ainda são muitos, mas hoje há uma oferta maior de cursos de Libras numa tentativa de facilitar a inclusão social. "Nós queremos mostrar com esse ato público que o surdo é capaz de estudar, capaz de ter uma profissão, que ele estuda todas as disciplinas como os outros estudantes e que também faz parte da sociedade", destacou Helaine.
O Instituto Londrinense para Educação de Surdos completou 55 anos em 2014 e atende 80 crianças e adolescentes da Educação Infantil ao Ensino Médio. Além das disciplinas convencionais, o Iles oferece atendimento com médicos e especialistas da área da saúde.

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