Alunos discutem violência juvenil em sala de aula
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
Motivados pelo fato de que gangues e pequenos assaltantes escolhem os adolescentes como alvo, alunos do primeiro ano do ensino médio do colégio Terceiro Milênio estão discutindo a violência em sala de aula. Muitos têm sua própria experiência para contar. Num grupo de jovens, não existe quem não conheça uma história real de assalto.
É um tema estimulante porque eles têm experiências pessoais e familiares, diz o professor de Cultura e Cidadania, Lúcio Gomes Sathler. O assunto também está nas manchetes dos jornais. Eles estão preocupados com o crescimento da violência nas cidades.
Numa das turmas de Sathler, que tem 32 alunos, 13 já foram assaltados nas ruas e sete, vítimas de ladrões em suas casas. O estudante Conrado Salema, 15 anos, foi assaltado três vezes. Ele trabalha como office boy de um cartório e conta que tem medo de ser assaltado. Na dúvida, prefere desviar de pessoas suspeitas.
Salema já chegou a conversar com vários meninos de rua e ouviu que eles roubam porque são pressionados a colaborar em casa. A família tem muitos filhos e o pai não tem como sustentá-los. Roubam porque precisam levar alguma coisa para os pais no final do dia, disse o estudante.
Filipe Christóforo, 15 anos, foi assaltado oito vezes. Já sou freguês dos ladrões, disse. Christóforo perdeu relógio, bonés, bicicleta, tênis e dinheiro. Uma das vezes foi assaltado quando tentava pegar ônibus perto de uma favela. Hoje, ele toma mais cuidado. Se vou perto de alguma favela, ando mal vestido.
As causas da violência, segundo os alunos, são desemprego, falta de formação e influência da televisão.


