Crianças diabéticas costumam enfrentar um problema extra no seu dia-a-dia, já caracterizado por uma série de privações: a merenda escolar. Impedidas de ingerir alimentos com açúcar (sacarose), elas muitas vezes são obrigadas a evitar os alimentos servidos na escola. Para acabar com este tipo de situação, a partir do ano que vem todas as escolas da rede estadual de ensino serão obrigadas a fornecer alimentação especial na merenda escolar para alunos portadores de diabetes mellitus.
A medida consta na lei estadual nº 14.425. Ela prevê que a alimentação especial seja determinada através de receituário médico e de nutricionistas do Estado, cabendo a estes profissionais a orientação sobre o preparo dos alimentos. No início do ano letivo será elaborada uma listagem com o número de alunos por escola que necessitam de alimentação especial para que seja determinada a quantidade a ser fornecida.
Para a nutricionista Ilídia Martelli Takahashi, do Ambulatório Multidisciplinar de Atendimento ao Diabético do Hospital de Clínicas (HC) de Londrina, a iniciativa é ''louvável''. Ela lembra que muitas crianças, por uma questão financeira, têm dificuldades para levar lanche diferenciado de casa. ''E aquelas que utilizam insulina devem, necessariamente, fazer um lanche no meio da manhã ou da tarde para que não corram o risco de uma queda abaixo do normal de açúcar no sangue (hipoglicemia)'', explica.
Para a nutricionista, será necessário também um trabalho de desmitificação da doença nas escolas, muito importante, segundo ela, para evitar a discriminação. ''As crianças diabéticas não devem sentir-se diferentes das demais. Sua vida social têm que ser preservada.''
Segundo a representante da Merenda Escolar no Núcleo Regional de Educação (NRE), Ingrid Lie Funada Liotto, este ano o fornecimento da merenda em todas as escolas de Londrina foi municipalizado, mas ainda não foi definido como será no ano que vem. Não se sabe, portanto, de quem será a responsabilidade pela alimentação diferenciada das crianças.
Para Roberta de Fátima Candreva Pereira, mãe de Guilherme, de 8 anos, a merenda especial será um alívio. Ela conta que o filho tem que levar pelo menos uma vez por semana lanche de casa, porque a escola serve bolacha doce com chá ou leite. ''Só que aí ele tem que comer escondido, na biblioteca, para não dar problema com as outras crianças. Ele não gosta de comer longe dos amigos.''
A diretora da escola de Guilherme, Laurentina de Farias, afirma que apenas quando o aluno leva um lanche diferente, que vai despertar muito a atenção das outras crianças, é que as professoras pedem que ele coma em ambiente separado. ''Mas na maioria das vezes ele traz fruta e aí não é necessário.''

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