Alunos desenvolvem trabalho inédito
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terça-feira, 26 de outubro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Uma pesquisa inédita no Paraná vai ajudar geólogos a identificar bioindicadores nas praias do Estado, além de auxiliar a definição da composição dos solos da região. O ineditismo de tal pesquisa, por sinal, foi destacado por professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que reclamam das dificuldades de encontrar bibliografia referente ao assunto no Estado.
O destaque citado acima poderia ser mais um entre tantos, em um País onde a pesquisa científica sofre com a falta de apoio, em detrimento de talentos espalhados por todo o Brasil. A surpresa se revela, no entanto, quando é informada a idade dos pesquisadores: Lucas Reis tem 13 anos e Luis Otávio Martins e Afonso Celso Araújo, 14.
Os alunos da Escola Interativa são os vencedores da Mostra de Ciências Prêmio Jovem Talento 2004, promovido pela Universidade Norte do Paraná (Unopar) e que reuniu no último final de semana cerca de dois mil pequenos pesquisadores de toda a região. O trabalho, intitulado ''Análise Sedimentológica e Biogênica da Praia de Guaratuba'', ficou em primeiro lugar, premiando os alunos com R$ 700,00 e um troféu, exposto orgulhosamente na porta da escola.
Segundo a coordenadora de 5 a 8 séries do colégio, Marisa Garcia, a pesquisa foi iniciada em março, quando os alunos demonstraram interesse em participar da 57 Edição do Concurso Cientistas do Amanhã, um projeto da Sociedade Brasileira para o Progresso das Ciências, braço nacional da Unesco, que premia os 10 melhores trabalhos do País.
Propostas foram discutidas com os alunos, até que o tema foi definido pelo mais jovem dos cientistas. ''Perguntei para a professora qual tema poderia ser bem desenvolvido por nós e ela nos sugeriu trabalhar com as praias. Nós gostamos e começamos a estudar'', lembra Lucas.
A idéia, segundo Marisa, é identificar microorganismos que possam indicar a presença de poluição na areia, além de fazer um estudo geológico do material coletado durante as visitas financiadas pela própria escola. ''O material vai ser coletado de seis em seis meses e estimamos concluir o trabalho em cerca de dois anos'', contou a coordenadora.
Aguardam pela conclusão dos trabalhos professores como Nelson Tagima, do departamento de geociências da UEL. Ele confirmou o ineditismo da pesquisa. ''Nunca houve a preocupação pelo estudo de sedimentos nas praias do Estado. Eu mesmo tive muitas dificuldades para encontrar bibliografia para meu trabalho de especialização em pedologia (estudo de solos)'', contou. A novidade garantiu aos alunos o direito de usar os laboratórios da universidade para o estudo do material coletado.
O projeto deve ser inscrito no Concurso Cientistas do Amanhã em maio de 2005.


