A ‘‘Gazeta do Supletivo’’ foi lançada em maio e causou boa repercussão em Fênix
Setenta e quatro alunos das duas turmas de 5ª série do Supletivo Seriado da Escola Estadual Vila Rica do Espírito Santo, em Fênix (Oeste), estão levando a sério um trabalho que começou na sala e hoje atinge todos os moradores.
Desde maio, o grupo está debruçado sobre a tarefa de produzir mensalmente a ‘‘Gazeta do Supletivo’’. Na primeira edição, mil exemplares foram distribuídos gratuitamente para a população que, pela primeira vez, pôde ler um jornal local. ‘‘A reação da comunidade nos surpreendeu, pois o jornal foi muito bem aceito’’, afirma a diretora da escola, Neivanir Joana da Mota Oliveira. Os alunos e professores já elaboraram três edições da Gazeta do Supletivo e a quarta está praticamente pronta.
Moradores mais antigos de Fênix, como o cartorário Rubens Calixto, não lembram de nenhum outro jornal feito antes na cidade. Há mais de 50 anos no município, ele diz que em 1964 chegou a circular em Fênix um informativo editado em Ponta Grossa.
Em 97, a população pôde conferir notícias locais através do jornal ‘‘Novos Caminhos’’, feito em Engenheiro Beltrão, a 30 quilômetros. O informativo durou seis meses e tinha algumas páginas dedicadas ao município, que tem 39 anos de emancipação política, 4.800 habitantes e a economia baseada na agricultura.
De acordo com a supervisora de ensino da escola, Rita de Cássia Nadi, a idéia de fazer a ‘‘Gazeta do Supletivo’’ partiu dos próprios alunos e dos professores. ‘‘A proposta era divulgar o potencial histórico e turístico da cidade e, ao mesmo tempo, proporcionar aos alunos uma atividade de motivação educacional’’, esclarece.
Para viabilizar a impressão, os ‘‘jornalistas’’ têm contado com a colaboração da prefeitura, dos vereadores e dos próprios professores. Agora, a escola também está contando com o apoio dos comerciantes. Para o ano que vem, a idéia é estimular a população a fazer assinatura da ‘‘Gazeta’’.
Este é o primeiro ano de funcionamento do curso na escola. A faixa dos alunos varia de 16 a 50 anos, e todos trabalham de dia e estudam à noite.
O vigilante Rui Amâncio Dias, 44 anos, gostou muito da experiência de produzir o jornal. ‘‘Deu para tirar um bom proveito. Na busca por informações, acabei aprendendo muita coisa sobre Fênix que eu não sabia’’, afirma. Rui está frequentando o curso supletivo incentivado por seus patrões.
‘‘No começo, achei que seria difícil, mas agora estou achando gostoso e divertido. Já temos muitas notícias para o próximo número’’, conta Wanderley Emiliano da Silva, 24 anos, que trabalha num lava-rápido. Segundo ele, é necessário muita responsabilidade ao apurar os fatos para não incorrer em erros.
O professor de Geografia Celso Tomé da Silva nota que está havendo um interesse maior dos alunos em participar das aulas e da confecção do jornal. ‘‘Com o trabalho reconhecido pela sociedade, eles se sentiram mais valorizados’’, comenta. A Câmara de Vereadores de Fênix aprovou uma moção de agradecimento ao trabalho dos alunos e professores do supletivo.

mockup