As crianças estavam sentadas no chão, todas atentas às falas das autoridades na solenidade de entrega de medalhas da XXII Oba (Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica), realizada na manhã desta segunda-feira (4), na prefeitura de Londrina. Estavam tão ansiosas que quase nenhuma levantou a mão quando o prefeito Marcelo Belinati perguntou quem pretendia ser astronauta, mas Miguel Henrique de Carvalho, 9, salvou a turma do silêncio e disse em bom tom: “Eu vou ser o segundo astronauta brasileiro a ir para o espaço!”.

79 crianças da rede municipal de ensino receberam medalhas da XXII Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica
79 crianças da rede municipal de ensino receberam medalhas da XXII Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

A surpresa com a fala do menino arrancou risos na sala. O menino recebeu medalha de prata neste ano e foi medalha de ouro no ano anterior. Aluno da Escola Municipal da Vila Brasil, ele faz parte das 79 crianças de sete escolas da cidade que receberam medalhas da Oba. “O projeto é superimportante porque incentiva as crianças e os professores, cria um clima de pesquisa na escola para que eles façam a prova, sejam aprovados e ganhem uma medalha no gabinete do prefeito. Tudo isso faz parte de uma ação que parece muito simples, mas gera um engajamento importante”, comenta a secretária municipal de Educação, Maria Tereza Paschoal de Moraes.

“Eu vou ser o segundo astronauta brasileiro a ir para o espaço!”

Para Miguel, mais que engajamento, a medalha faz parte da caminhada da concretização de um sonho. “Eu gosto muito de ciência, sempre gosto de observar os planetas, eu já vi no telescópio a Lua e Júpiter e foi bem legal. Sempre quis estudar o espaço e os fenômenos”, comenta. O garoto já tem ideia de pesquisa na cabeça. “Eu quero estudar o que acontece dentro de um buraco negro e quero ver uma supernova de verdade”, aspira.

Miguel Henrique de Carvalho recebeu medalha de prata e pretende, com incentivo da mãe, Jaqueline de Carvalho, ser um astronauta
Miguel Henrique de Carvalho recebeu medalha de prata e pretende, com incentivo da mãe, Jaqueline de Carvalho, ser um astronauta | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

O estudante vai enumerando os planetas que deseja observar e relata o sonho de pisar na lua, tudo ao lado da mãe, que ri com a empolgação do filho. “Eu fico muito feliz. Na família nós incentivamos muito, mas ele já tem muito interesse nesse assunto, o que fica é a responsabilidade da família de incentivar e acompanhar”, comenta Jaqueline de Carvalho, que é professora. O único da turma a revelar o sonho de ser astronauta não tem dúvida. “Eu vou ser o segundo brasileiro astronauta a ir para o espaço, vou estudar muito”, fala com convicção. O primeiro astronauta brasileiro a ir para o espaço é o atual Ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, que fez uma viagem espacial em 2006.

Esta é uma das propostas da Oba, criar oportunidades e tornar possível o sonho de ir além. No Brasil foram 890 mil crianças participantes em quase 10 mil escolas. Em Londrina, sete escolas estiveram envolvidas: Mercedes Martins Madureira, Noêmia Alaver Garcia Malanga, Joaquim Pereira Mendes, Jovita Kaiser, Suely Ideriha, da Vila Brasil e Arthur Thomas. Neste ano, 79 crianças receberam medalhas distribuídas em 14 de ouro, 32 pratas e 33 bronzes. Desde 2013, 360 alunos da rede municipal já foram premiados na Oba.

A professora do quinto ano da Escola Municipal Mercedes Martins, Ivone Rumiato Aguilar, conta que 16 alunos da unidade foram homenageados, entre eles: seis de ouro, seis de prata e quatro de bronze. “Eles têm conteúdo de ciências, mas o que eu acho mais importante é a criança ser valorizada no projeto que não é só da escola, é nível nacional. Acho que depende da escola incentivá-los e fazê-los terem interesse por esse conteúdo”, declara.

Julia Akemi Nidahara foi medalha de ouro na OBA 2019
Julia Akemi Nidahara foi medalha de ouro na OBA 2019 | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

Julia Akemi Nidahara, 11, recebeu medalha de ouro. Ela é aluna do quinto ano da Escola Municipal Suely Ideriha, que conquistou 29 medalhas, maior número da cidade. “Eu sempre quis participar de tudo a escola, eu já tinha feito quando eu estava no terceiro ano e tirei ouro também”, menciona. “Eu fiquei bastante nervosa com a prova, mas eu estudei muito. A professora me ensinou direitinho e meus pais também ajudaram, eu estou até emocionada”, comenta a menina, que diz ter pensado em ser astronauta, mas que talvez seja médica veterinária.

"A professora me ensinou direitinho e meus pais também ajudaram, eu estou até emocionada”

O prefeito falou que propostas assim têm impacto na vida das crianças. “A educação muda a vida de uma pessoa, de uma família, de uma cidade e de um país. O evento mostra a qualidade dos nossos professores, diretores, de toda a rede de ensino e, principalmente, a qualidade dos nossos alunos. Londrina teve um salto na educação, a nota de Londrina subiu quatro pontos no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), atingindo a maior nota da história da cidade e um evento como esse serve para estimular as crianças e escolas, o que é fantástico”, afirma. A solenidade contou com a presença do prefeito, secretária municipal da educação, diretores, professores e autoridades.

A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica ocorre anualmente, envolvendo alunos do Ensino Fundamental e Médio. A iniciativa conta com recursos do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), órgãos vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, além de patrocínio da Unip (Universidade Paulista).

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