Semáforo com alerta sonoro para deficientes visuais, veículo autônomo com câmeras para segurança patrimonial, robô que faz irrigação de pequenas plantações... A UEL (Universidade Estadual de Londrina) viajou para o futuro com a realização do IV Robolon (Mostra Científica de Automação de Londrina), que teve a participação de 130 alunos de escolas públicas e particulares de Londrina e região.

A mostra, realizada em novembro, faz parte de um projeto de extensão do departamento de engenharia elétrica da universidade, que oferece oficinas de tecnologia para alunos da rede pública de ensino. “O objetivo é despertar vocações e interesse pela parte técnica e, ao mesmo tempo, fazer com que estudantes se envolvam com o projeto de tecnologia”, explica Osni Vicente, professor do departamento e coordenador do Robolon.

O projeto está em sua quarta edição. Neste ano, aproximadamente 100 alunos se inscreveram para participar das oficinas, com duração de 12 semanas, nos Naah/s (Núcelo de Atividades de Altas Habilidades e Superdotação), de Londrina e Região. “Finalizamos com 70 alunos que nós treinamos, mas na mostra vieram alunos de outras escolas.”

Apesar de alguns alunos não seguirem carreira para a área, o projeto de automação trabalha de forma lúdica no ensino de matemática e física, áreas muitas vezes desprezadas pelos estudantes. A proposta é fazer com que as crianças e adolescentes se interessem por essas disciplinas e se motivem a estudá-las, independente da formação escolhida no futuro.

Alunos de Sertanópolis apresentam robô para pulverização

Nilson Pereira e Emanuel Garcia: “Agricultura é a base econômica da nossa cidade”
Nilson Pereira e Emanuel Garcia: “Agricultura é a base econômica da nossa cidade” | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

Emanuel Garcia, 17, e Nilson Pereira, 16, são de Sertanópolis (Região Metropolitana de Londrina) e apresentaram um robô autônomo para pulverização e irrigação em estufas. “A ideia é trabalhar com agricultura familiar e plantações de pequeno porte na parte de irrigação, controle de pragas e análise de solo. A agricultura é a base econômica da nossa cidade, então decidimos pensar não só nas grandes propriedades que possuem alto investimento, mas em um modelo econômico de trabalho”, afirma Garcia, que está no terceiro ano do ensino médio e está prestando vestibular para engenharia elétrica, na UEL.

Pereira estuda à noite, trabalha de manhã e ainda participa das oficinas no período da tarde e esta é a segunda vez que ele vai para o Robolon. “Na primeira vez apresentamos um projeto de bengala e boné com sensores ultrassônicos para auxiliar na locomoção de deficientes visuais.”

Francislene Salmen, professora responsável pela SEM (Sala de Recursos Multifuncional), do Naah/s, da Escola Estadual Monteiro Lobato, em Sertanópolis, acompanhou esses e outros alunos ao Robolon. “Os projetos resultam nos robôs, mas eles se iniciam com uma problematização social: como eu posso usar o projeto para resolver um problema social?”

Alunas de Primeiro de Maio construíram protótipo para galinheiro

Karoline dos Santos e Ana Neves: sistema pode ser utilizado por pequenos produtores familiares
Karoline dos Santos e Ana Neves: sistema pode ser utilizado por pequenos produtores familiares | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

Na mesa de Karoline dos Santos, 13, e Ana Caroline Neves, 12, do Colégio Estadual Marechal Castelo Branco, de Primeiro de Maio (RML), um protótipo mostra como afastar predadores de um galinheiro. “Nós colocamos um sensor ultrassônico que detecta movimentos e acende uma luz que espanta o predador. É a nossa primeira vez de trabalho com arduino, ele é a base de tudo e nós tivemos que aprender matemática, um pouco de inglês e robótica nas aulas de programação”, comenta Santos.

Para Neves, esse é um sistema que pode muito bem ser utilizado por pequenos produtores familiares nas áreas rurais, como exemplo, ela tem o próprio avô. “Ele tem galinheiro, ele não vende é só para consumo. Agora que a gente finalizou, quero mostrar o nosso projeto, acho que ele vai gostar muito, porque tem bicho que ataca as galinhas de noite”, comenta.

As duas alunas estão no 7º ano do ensino fundamental e estavam acompanhados do professor de matemática Guilherme Cardoso, responsável pelos projetos da escola. “Quando eles vêm para a feira têm uma perspectiva maior, conseguem enxergar outro mundo que é possível para eles, além de todo desenvolvimento em torno”, afirma.

‘Revivi a minha infância’

Vicenzo com o pai Clóvis Silva: “Quero ser como meu pai, porque ele desmonta as coisas”
Vicenzo com o pai Clóvis Silva: “Quero ser como meu pai, porque ele desmonta as coisas” | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

O evento recebeu visitas de escolas, alunos da universidade e também de pais, como Clóvis Estevão da Silva, 39, que é engenheiro eletricista e foi ver a apresentação do filho, Vicenzo, 7. “Eu achei o máximo, revivi a minha infância. Com 11 anos eu participei da minha primeira feira de ciências e o meu filho agora está vivendo isso”, comenta orgulhoso.

Vicenzo está no segundo ano do ensino fundamental da Escola Municipal Miguel Bespalhok, mas ele é um dos alunos atendidos pela Sala de Recursos Multifuncional para alunos com Altas Habilidades/Superdotação da Escola Municipal Joaquim Pereira Mendes. Com os amigos, ele construiu um aspirador de pó de baixo custo a partir de materiais recicláveis. “Quero ser como meu pai, porque ele desmonta as coisas, mas vou ser engenheiro mecânico, porque eu quero aprender a mexer com motor de carros”, comenta.

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