Alunos de Ibiporã lançam livro sobre Aquífero Guarani
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quarta-feira, 02 de janeiro de 2019
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

Ibiporã - Com quantos anos é possível escrever um livro? Para 25 alunos do Complexo Educacional Municipal Professora Vera Lúcia Pansardi Casagrande, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), esta pergunta é facilmente respondida. Com média de nove anos, os estudantes do quarto ano do ensino fundamental confeccionaram um livro a partir de projeto desenvolvido dentro de sala de aula. "Aquífero Guarani: um tesouro escondido" foi lançado no início de dezembro.
A iniciativa faz parte de quatro estudos que são aplicados pelo município no decorrer dos meses nas instituições, a partir de programas de empresas ligadas ao meio ambiente. No caso da obra, a base foi conteúdo relacionado às águas. "Fizemos pesquisas e percebi que os alunos não sabiam de onde vinha a água que tomavam. Fizemos um questionário e distribuímos em cinco escolas da cidade. Notamos que nestas também existia esta falta de esclarecimento", relatou a professora responsável pela turma, Josilaine Amancio Corcóvia.
Isto foi o ponto de partida para que a docente e as crianças se aprofundassem no tema e em suas curiosidades. Mestre em geografia pela UEL (Universidade Estadual de Londrina), ela aproveitou o material do mestrado sobre água subterrânea para embasar o conteúdo aos estudantes. Eles ainda viram imagens de satélite, confeccionaram maquetes e realizaram visitas à central de tratamento de água e ao local onde fica o Aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, que tem em Ibiporã.
Também foram feitas entrevistas com profissionais da Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), órgão que detém a responsabilidade sobre o saneamento básico da cidade. "Temos aula de informática na escola e eles aproveitavam este tempo para pesquisar. Faziam apurações em casa, junto com os pais", apontou. "As ilustrações, para ajudar, foram feitas pelos meus filhos", acrescentou. Os estudantes foram divididos em sete grupos, em que cada um ficou incumbido de elaborar o texto para um capítulo. Professores de outras turmas colaboraram prestando apoio.
EXPERIÊNCIA
O trabalho dos estudantes foi desde a descoberta do aquífero, como funciona a perfuração e o que é necessário para a água chegar limpa na torneira de todos. Neste percurso várias foram as descobertas. "No começo a água do Aquífero Guarani vinha muito quente, em torno de 35º graus de temperatura. Isto danificava os canos. Então começou-se a misturar com a água do Ribeirão Jacutinga, que sempre nos abasteceu, sendo esta após tratada. Isto baixou a temperatura para 25º graus", explicou a professora. Com dois poços, este aquífero tem capacidade de abastecimento de 50 anos para uma população de até 60 mil habitantes.
Da pesquisa, passando pela escrita à confecção do livro foram nove meses, com 80 exemplares impressos com o apoio de algumas empresas e da prefeitura. Uma noite de autógrafos foi organizada para que os pequenos escritores pudessem divulgar o trabalho e se sentir valorizados ao lado das famílias. "Meus pais e tios foram e todos ficaram contentes por mim, falavam que era a escritora deles. Me senti uma verdadeira escritora mesmo por poder ver meu nome como uma das autoras", valorizou Isabella Camargo do Carmo, 9.
Para a aluna do quarto ano, a caminhada até a publicação da obra foi um grande desafio, mas superado facilmente com o apoio dos colegas de sala. "Foi uma experiência muito boa. Não sabia que a água passava por debaixo da terra", contou. O mesmo sentimento foi divido por André Pinheiro Alvez da Cruz, 11, que ainda aprendeu sobre o consumo consciente e a poluição. "Foi incrível. Passei a cuidar mais em relação ao desperdício da água, que é um bem valioso que todos precisamos cuidar. Foi um aprendizado a mais", definiu.
VALOR DA LEITURA
O sistema do Aquífero Guarani funciona 20 horas por dia, enquanto a captação do ribeirão Jacutinga fica em atividade por até dez horas. A água do Guarani é potável já na saída do poço, porém recebe cloro e flúor para atender à legislação. No caso do ribeirão, a água passa por processo de tratamento mais complexo para eliminar resíduos. Para a população, o custo pode chegar em até 50% mais barato em relação a outras companhias de água.
Segundo a professora Josilaine Corcóvia, o maior resultado não pôde ser visto em páginas, mas sim na atitude da turma. "Elaboraram ainda um teatro para apresentar em outras escolas e queriam ler cada vez mais sobre o assunto. O interesse pela leitura foi fantástico, pois este gesto 'abre' portas para o conhecimento", destacou. O Complexo Educacional Municipal Professora Vera Lúcia Pansardi Casagrande fica no jardim Henrique Pereira e conta com 239 crianças matriculadas do berçário ao quinto ano.


