Curitiba - A Prefeitura Municipal de Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba) determinou para hoje a transferência dos alunos da Escola Municipal Antônio Prado. No entanto, os pais dos cerca de 35 estudantes que ainda estão na instituição pretendem resistir. Eles garantem que continuarão levando seus filhos à escola e marcaram para hoje, a partir das 8 horas, uma vigília em frente ao local.
A decisão da prefeitura foi tomada após a suspensão da liminar que impedia o encerramento das atividades, concedida pela juíza Inês Marchalek Zarpelon, em abril deste ano. No início da semana passada, o presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ), desembargador Ruy Fernando de Oliveira, aceitou o recurso do município e autorizou a transferência dos estudantes.
Em uma audiência com a assessoria do presidente do TJ, na tarde de ontem, a advogada do movimento "Escola Não se Fecha", Myrian Oliveira Rosa, pediu a reconsideração da decisão. Ela também entrou com um agravo regimental contra a cassação da liminar. Além disso, os integrantes do movimento pretendem recorrer ao governo do Estado, para que fique responsável pela escola.
"Não vamos acatar isso. O terreno foi doado há muitos anos pela comunidade, para ser uma escola. Se não for, queremos o terreno", afirma o coordenador do movimento, Luiz Romero Piva.
De acordo com ele, a resistência ao fechamento da instituição de ensino foi decidida, por unanimidade, em assembleia realizada na última quinta-feira, data em que a medida foi anunciada pela Secretaria Municipal de Educação.
A prefeitura indica a transferência dos alunos a duas instituições vizinhas à Antônio Prado. São elas as escolas municipais Alvorada, no Jardim Alvorada, e Arco-Íris, no Jardim Gramado, distante 1,5 quilômetro da instituição, de acordo com a administração municipal.
Uma circular enviada ontem aos pais informou sobre a possibilidade da escolha entre os dois locais e a oferta de transporte escolar.
O secretário municipal de Educação, Romildo de Brito, rebate a acusação de que a escola será fechada. "Não é o fechamento da escola, é a transferência dos alunos. Vamos encaminhar os 32 alunos e usar o local para o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Não vamos demolir o prédio, vamos continuar com atividades de educação", afirma.
Para ele, se as aulas continuassem no local, seria prejudicial ao desenvolvimento dos alunos. Ainda de acordo com o secretário, as crianças serão transferidas a escolas com refeitório, quadra de esportes e outras estruturas. "Não tem como manter uma diretora, uma coordenadora pedagógica na escola. As professoras não podem participar de cursos no município", conta.
Ele garante que irá cumprir a determinação do desembargador e realizar a transferência dos alunos. Caso contrário, irá responsabilizar os integrantes do movimento por desrespeito à Justiça. (Colaborou Marcela Rocha Mendes)

mockup