Sessenta e oito alunos do 4º ano de direito matutino da Universidade Estadual de Londrina (UEL) entraram com um pedido de abertura de sindicância para apurar a situação de uma professora que não compareceria para dar aulas desde o final de outubro. A docente, que ministra aulas de Direito Penal, tem até sexta-feira para apresentar sua defesa no processo.
Os estudantes reclamam que a professora não teria cumprido nem 25% da carga horária da disciplina anual, e que ela teria dado notas sem realizar nenhuma avaliação. ''Ela apenas pediu dois ou três trabalhos, e deu as notas a partir disso. Não fizemos prova nenhuma'', afirma Luciano Pereira Vieira, aluno do 4º ano. ''Ela assinava o ponto nos dias em que faltava, tanto que vimos as assinaturas. Mas diz que nós é que não íamos às aulas''.
Os alunos estão preocupados porque estariam perdendo conteúdo essencial. ''A professora afirma que concluiu o conteúdo programático, e trata-se de uma legislação extensa. É um absurdo'', afirma outro estudante, Ulisses Tasqueti. O requerimento, apresentado à Central de Protocolo no final de janeiro, pede, além da sindicância, para que a docente não seja nomeada, já que foi contratada em regime temporário.
Apenas 68 dos 120 alunos assinaram o documento porque estariam com medo de represálias. O diretor do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), Antônio Carlos Moretto, não quis comentar o assunto. ''Este caso está sendo analisado internamente'', se limitou a dizer.
Já o chefe do Departamento de Direito Público, Nélson Milanez, explicou que o contrato da professora vence no dia 1º de março, e que após esta data ela será dispensada. ''O contrato já foi renovado uma vez. Por lei, não pode ser renovado de novo. Isso não tem nada a ver com o processo'', disse o diretor.
Milanez também não quis dar maiores comentários sobre o caso. ''Se os alunos dizem que não tiveram o conteúdo, essa questão será apurada pelo colegiado do curso'', afirmou o diretor. Segundo Milanez, a professora assinou presença e garantiu que compareceu à maioria das aulas. A reitora Lygia Puppato não foi localizada para comentar o assunto.