Alunos de Computação desenvolvem software para ONG
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Redação FolhaWeb com Agência UEL 
A disciplina Engenharia de Software, do 3º ano do curso de Ciência da Computação da UEL, deve, entre outros objetivos, levar os alunos a compreender e exercitar o processo de desenvolvimento de um programa de computador (software). É uma meta difícil de ser plenamente atingida sem a presença, no processo, da figura do cliente, com a qual a necessidade a ser atendida pela tarefa se torna concreta, e o aprendizado dos alunos ganha sentido prático.
No ano passado, porém, os alunos da disciplina tiveram oportunidade de realizar a experiência "prática e completa" do desenvolvimento de um software, cujo resultado estará no ar, na internet, a partir dos primeiros dias de fevereiro. Agrupados em equipes, eles se defrontaram com um desafio que foi igual para todas as equipes: desenvolver um software para o Canal de Voluntários, projeto da seção de Londrina da Junior Chamber International (JCI) www.jcilondrina.blogspot.com.br, Organização Não Governamental (ONG) vinculada a uma organização mundial que se dedica, entre outras coisas, à capacitação de jovens para atuar na solução de problemas da comunidade.
A oportunidade da realização do projeto surgiu de contatos entre a professora da disciplina, Jandira Genka Palma, e a tesoureira da JCI Londrina, Yuri Shirado, que já se conheciam. A JCI pretendia contratar uma empresa para executar a tarefa, mas aceitou colaborar com o plano da professora Jandira.
"Meu interesse era mostrar aos alunos que desenvolver um software não é só o exercício de criar códigos. Queria que eles tivessem uma visão global das etapas do projeto", diz a professora, fazendo esta comparação: "É como fazer uma casa sem os projetos necessários hidráulico, elétrico, estrutural. Pode ser feita, mas com que qualidade? No nosso caso, é preciso fazer um bom projeto para obter um bom sistema. A disciplina trata disso, de mostrar ao aluno tudo o que antecede o desenvolvimento do software".
Para montar suas propostas, as diversas equipes de alunos tiveram que conhecer a JCI Londrina e suas intenções com o Canal de Voluntários. A JCI tem existência formal na cidade há um ano. A entidade congrega cerca de 40 pessoas, segundo seu presidente, Alexandre Takaoka, somando os 13 membros ativos com os amigos e simpatizantes.
De acordo com Takaoka, a ideia do Canal de Voluntários nasceu da observação de que Londrina reúne não só um número significativo de ONGs e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPS), nos mais diversos setores, mas aqui também se encontra um grande contingente de pessoas interessadas em colaborar com essas entidades: "É próprio das cidades universitárias, como a nossa, que aqueles que vêm de fora vejam, no trabalho voluntário, a oportunidade para se integrar ao seu novo lugar".
"Então procuramos um meio de fazer a conexão entre as necessidades das entidades e a vontade daqueles que se dispõem a ajudar, sejam pessoas físicas ou jurídicas", prossegue Takaoka. Essa é a finalidade do Canal de Voluntários: cadastrar entidades que precisam de ajuda de voluntários e fazer a ponte com pessoas (ou empresas) que manifestem o desejo de colaborar com elas, de forma a encontrar solução, por exemplo, para o caso de quem só dispõe do sábado para essa atividade, ou de uma outra que deseja trabalhar perto de casa, ou uma terceira que está apta a cuidar de crianças e pensa que isso é próprio apenas das creches, sem saber da existência de um projeto com esse fim numa igreja do seu bairro.
Membros da JCI expuseram seus planos ao conjunto dos alunos da disciplina da professora Jandira, enfatizando o interesse em ver concretizado "um produto que tivesse a identidade da JCI Londrina", conforme as palavras de Takaoka.
As equipes colocaram mãos à obra, verificando os requisitos, aprofundando a pesquisa sobre o tema, desenvolvendo modelos. O resultado desse esforço foi submetido aos membros da JCI e estes elegeram a proposta que mais lhes agradou. Foi a da equipe integrada por Gustavo Vendramini, Sean Carlisto de Alvarenga, Letícia de Cássia Santin, Guilherme José Henrique, Jonas Barbosa Tostes e Vinícius Fernando de Jesus.
É esse sistema que passará a ter um link no site da JCI Londrina, sob o login "Junte-se a nós", por volta do dia 10 de fevereiro. Quem acessar não terá dificuldades em fazer sua inscrição como voluntário, mas, segundo o estudante Gustavo Vendramini, a utilidade do sistema irá muito além desse simples registro. "O próprio programa fará cruzamento de dados e emitirá relatórios. Será possível, ainda, fazer o gerenciamento de usuários e de conteúdo. Também ficarão registradas as doações, sejam de serviços, alimentos ou outras", informa.
Finda a experiência realizada na disciplina Engenharia de Software, todos os envolvidos se dizem satisfeitos e apontam, em comum, uma razão para o bom resultado: o fato de ter sido um trabalho voluntário.
"Os alunos procuraram atender a nossa solicitação de uma forma que não esperávamos, agiram como verdadeiros profissionais", diz o presidente da JCI Londrina. "Muitas vezes o voluntário chega com um produto melhor que o produto pago, porque ele tem a força de vontade de ajudar, de se integrar".
O estudante Vinícius Fernando de Jesus observa que, "juntando o conteúdo da disciplina com o voluntariado, ficamos conhecendo diversas ferramentas novas que irão servir para o nosso trabalho depois de formados". Destaca ainda que as exigências próprias do trabalho em grupo, como a de dividir tarefas, a interdependência, a pressão exercida pela necessidade de cumprir o cronograma tudo isso criou um ambiente de trabalho real, "de engenharia mesmo", na disciplina.
A professora Jandira Genka Palma diz que seus alunos a surpreenderam positivamente. "Criou-se um ambiente em que a preocupação com a nota não estava em primeiro lugar. Eles gostaram da ideia de colaborar com a sociedade e se sentiram mais próximos da sua futura atividade profissional". Em anos anteriores, a disciplina Engenharia de Software não estava entre as que mereciam maior atenção dos alunos do 3º ano, segundo a professora. "Desta vez, acredito que foi a disciplina à qual eles ofereceram mais tempo. Eles se mobilizaram mesmo. E eu fiquei orgulhosa, porque desenvolver um software não é fácil. Muitos obstáculos têm que ser superados, muita coisa tem que ser feita e refeita. E eles deram conta da tarefa".


