Alunos de baixa visão recebem kit didático
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Caneta e caderno à mão, alunos copiam a lição do quadro negro. A cena é rotina em qualquer instituição de ensino do mundo. Na Escola Estadual Norman Prochet, no entanto, um dos estudantes se diferencia ao manusear uma máquina de escrever especial com rapidez e agilidade. Aos 12 anos, Leonardo Massaroto Crema usa o equipamento, conhecido como reglete, para redigir em braile - linguagem para cegos. Ele tem menos de 10% da visão no olho direito e zero no esquerdo e depende de uma máquina ou materiais didáticos especiais para ter mais facilidade no acompanhamento escolar.
Com o objetivo de atender estudantes com visão subnormal, a secretaria municipal de Educação repassou ontem 60 kits de material didático especial aos supervisores de escolas municipais e estaduais, do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc) e do Centro de Deficiência Visual (CDV). A entrega foi feita no Centro de Treinamento da Sercomtel, no Bairro Cervejaria, na Zona Leste.
Os kits serão distribuidos entre alunos com baixa visão e cegos. Trinta kits vem com uma bolsa, dois cadernos com pauta ampliada em negrito, três lápis 6B (grafite mais grosso), duas canetas com ponta porosa preta, um pincel atômico de ponta redonda grossa preta, duas borrachas especiais, um conjunto com 12 canetas hidrográficas e uma lupa de apoio. Os outros 30, destinados aos cegos, contém bengala, sorobã (equipamento para calcular) e reglete (máquina de escrever em braile). A rede municipal de ensino contabiliza hoje 18 estudantes com baixa visão e um cego.
Sem o material especial, os educadores são obrigados a improvisar. As adaptações variam desde a ampliação do corpo dos textos de livros até criação de intervalos maiores nas pautas dos cadernos, riscando linhas maiores com canetas. Professora de Leonardo desde o ano passado, Angélica Maria de Freitas fez curso de braile para facilitar as aulas. ''A vantagem é que ele tem muita facilidade para se relacionar e todos querem ajudá-lo. O grupo é muito solidário'', salientou a educadora da escola do Parque Guanabara (Zona Sul). Uma prova da desinibição de Leonardo são seus dotes artísticos. Segundo o pai, o comerciante Adair Crema, o jovem cantor até gravou um CD amador.
De acordo com a gerente de apoio educacional da secretaria municipal de Educação, Nair Senegalia Morete, o repasse do material não teve custo para o município. ''O material facilita o trabalho da professora e a aprendizagem do aluno'', resumiu.


