“Nossa intenção, desde o começo, vem sendo mostrar para a população que aquela área do Bosque pode ficar bonita”, explica Denise de Cássia Rossetto Januzzi, professora de arquitetura e urbanismo da UEL
“Nossa intenção, desde o começo, vem sendo mostrar para a população que aquela área do Bosque pode ficar bonita”, explica Denise de Cássia Rossetto Januzzi, professora de arquitetura e urbanismo da UEL | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

Alunos e professores da UEL (Universidade Estadual de Londrina) têm acompanhado de perto o projeto de revitalização do Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon, no Centro de Londrina, e propondo concepções para melhorar o local. Cerca de 30 estudantes do 4º ano do curso de arquitetura e urbanismo da instituição desenvolveram seis projetos de paisagismo para o espaço, como atividade da disciplina de paisagismo. Os desenhos tiveram como foco a reutilização do lugar e foram entregues ao Ippul (Instituo de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina).

A iniciativa foi da professora Denise de Cássia Rossetto Januzzi, do departamento de arquitetura e urbanismo. Desde 2018 a docente vinha realizando estudos sobre o Bosque. “O Bosque é uma dos espaços mais importantes da cidade, porém, está abandonado, insalubre e feio. Desde o início sabia que seria uma área difícil de estudar: foi viveiro municipal, zerinho, transformado em APP (Área de Preservação Permanente)”, constatou. A partir da década de 1950 até a primeira metade de 1980, as duas quadras preservadas pelos colonizadores com sua mata nativa ainda serviram como parada dos ônibus do transporte coletivo.

Os alunos da disciplina aplicaram questionários à população e analisaram a estrutura física e o relevo do Bosque. Apesar das possibilidades diferentes, todas convergiram numa necessidade de melhor permeabilidade, circulação, questão visual e estruturas para lazer e prática esportiva. Atualmente, quatro estudantes estão desenvolvendo um projeto de pesquisa e ensino dentro da graduação intitulado "Avaliação de áreas públicas: o Bosque". É mais uma maneira de aprofundar os conhecimentos sobre o espaço, com aplicação de metodologia e mapas comportamentais, entre outras ações.

Integrante deste grupo, Karina Saori Misunaga Taniwaki, que está no terceiro ano do curso de arquitetura e urbanismo da UEL, acredita que a atuação é uma maneira da academia contribuir com a sociedade. “Não tinha muito conhecimento sobre o Bosque e fiquei impressionada com o que vimos até agora. Estamos levantando várias informações para ver o que seria bom manter do que tem hoje. Vamos a campo, saber a opinião das pessoas sobre o local, suas necessidades. Tudo isso é interessante”, valorizou.

DENOMINAÇÃO
Para Januzzi, a própria denominação da área como bosque é errada por se tratar de uma praça. “Tem árvores incompatíveis com o lugar, que deveria ser um cartão de visita da cidade, para as pessoas terem segurança, aproveitar. Os caminhos estão sujos. Lavam, entretanto, não é suficiente. Deixaram a vegetação tomar conta e não foi para este fim que este local foi criado”, elencou.

A especialista apontou que existem diversas opiniões em torno do que deve ser feito no Bosque Municipal e, por isso, o poder público precisa encontrar o projeto que atenda a sociedade e frequentadores. “Nossa intenção, desde o começo, vem sendo mostrar para a população que aquela área pode ficar bonita”, reiterou. “Dá para fazer muitas ações para melhorar, mas, a população precisa deixar. Que o município faça a reforma e que o bosque vire um espaço público interessante e que Londrina merece. Hoje está um descaso.”

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