Londrina - Os alunos da Escola Municipal Professor Bento Munhoz da Rocha Neto, do Distrito de Lerroville (zona sul de Londrina), deram um show contra o preconceito durante evento em homenagem ao Dia da Consciência Negra.
O evento, realizado na terça-feira à tarde, começou com a encenação de uma peça. Uma das alunas, Victória Jardins, de 11 anos, representou uma jovem preconceituosa em sala de aula, que esconde o próprio estojo na mochila de um aluno negro com o qual não tinha simpatia e depois o acusa de roubo. Ela solicita que revistem as mochilas de todos, mas não contava com uma câmera de segurança, que registrou toda a cena.
Logo depois a peça de teatro dá um salto no tempo, quando aqueles alunos já tinham se tornado adultos. Os mesmos personagens estão em uma fila para uma vaga de emprego, quando encontram o rapaz injustiçado. Começam a ofendê-lo da mesma forma, dizendo que a vaga de emprego não era para faxineiro. Só que o desfecho colocou a vítima de preconceito como o proprietário da empresa e seria ele o responsável por entrevistar os candidatos. Foi uma história fictícia, mas com pinceladas bastante realistas e atuais pelos quais muitos negros são submetidos no dia a dia. Victória, que na peça foi a vilã, ressaltou que o preconceito é muito ruim. "Todo mundo é igual", pontuou.
A professora de teatro, Solange Cardoso Pereira Gregório, informou que deixou a responsabilidade de elaborar o roteiro da peça teatral a cargo dos alunos. Além do teatro, houve dramatização, dança e música. O diretor José Carlos de Jesus Lisboa, ressaltou que as apresentações são resultado de trabalhos realizados ao longo do ano na escola, que conta com 215 alunos em período integral. "Nossa nação é bem miscigenada, por isso temos que trabalhar a formação do caráter das pessoas para que elas saibam conviver harmoniosamente com todas as raças, sem discriminações", destacou. Ele afirmou que a sociedade brasileira ainda é cheia de preconceitos e que isso só pode ser revertido se todos trabalharem contra isso na base, com crianças entre 6 e 12 anos.
A dona de casa Rosimara Floriano Nascimento é mãe de dois alunos que se apresentaram no espetáculo: Priscila, de 9, e Samuel, de 7. "Acho importante eles crescerem sem preconceitos. Respeito ao próximo e valorização das pessoas são valores que devem ser repassados pelos pais para os filhos."
Segundo o promotor de Justiça Paulo Tavares,o Dia da Consciência Negra é fundamental para que as pessoas reflitam como está o relacionamento com os negros e sobre a vida que eles levam atualmente. "É uma vitória do movimento negro que se comemore a morte do Zumbi dos Palmares, que foi um mártir do movimento."

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