Dimitri do Valle
De Curitiba
Numa sala do Colégio Estadual Santo Agostinho, no bairro Boqueirão, em Curitiba, centenas de peças de roupa, pares de calçados, alimentos e brinquedos, revelam um projeto sustentado na solidariedade de alunos e moradores. O ‘‘Disciplina cidadão 2000’’, idealizado pelo professor Adelson Marcelino Pereira, tem números nada modestos: assiste 200 famílias carentes, mobiliza mais de 1 mil alunos e já se expande para outras três escolas do bairro.
O projeto recomeçou no mês passado e está no terceiro ano consecutivo. A idéia, segundo Pereira, é casar teoria e prática. Na sala de aula, os alunos falam de temas como ética e cidadania. O segundo passo são as ruas do bairro. Os estudantes batem nas portas das casas de famílias pobres, traçam um perfil sócio-econômico e cadastram os dados para beneficiá-los com os mantimentos. O trabalho só rende resultados se a comunidade ajudar.
Na terceira etapa, é preciso ir a campo de novo e coletar as doações através da divulgação do ‘‘Disciplina cidadão 2000’’. Os donativos arrecadados com comerciantes e moradores do Boqueirão serão entregues às famílias numa festa que será realizada no próximo dia 16 de outubro nas instalações do colégio. O professor Adelson Pereira garante ter perdido as contas de quantas peças de roupa, quilos de comida e brinquedos foram doados. Ele estima que os alimentos resultaram na composição de mais de 100 cestas básicas.
As famílias carentes não são o único público alvo do projeto. Desde 1997, quando o programa começou a dar os primeiros passos, os estudantes definem ‘‘adotar’’ duas instituições de caridade, que são contempladas com as doações. Neste ano, a escola para deficientes Nabil Tacla, da Associção Paranaense de Reabilitação (APR), e o asilo Vila Esperança, são os beneficiados. No dia 15 de outubro, no Sesi do Boqueirão, os idosos do Vila Esperança vão receber os donativos das mãos dos alunos. Eles também poderão dar um presente aos novos amigos. Um CD feito com canções interpretadas pelos velhinhos será lançado durante a festividade.
Apesar dos problemas que a Educação enfrenta no País, o professor Adelson Pereira acredita que a escola ainda reúne condições para fomentar a criatividade e trabalhar o fortalecimento de uma escala de valores morais nas crianças e adolescentes. ‘‘A escola é o foco. O que falta no sistema educacional é o comprometimento social’’, comenta. Pereira quer agora trabalhar a conscientização dos alunos em relação a conservação do patrimônio da escola. A etapa do projeto denominada ‘‘Eu amo a minha escola’’ provocará os alunos a debaterem quanto custa um ato de vandalismo, como pichações e vidros quebrados.

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