Alunos dão exemplo de respeito aos mestres
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quinta-feira, 05 de abril de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Em meio à enxurrada de notícias de agressões e até sequestro contra professores em colégios paranaenses, surge um alento. Alunos de Ensino Médio da Escola Estadual Professora Beahir Edna Mendonça, localizada no Jardim Paraíso (Zona Norte de Londrina), inauguraram esta semana uma exposição em homenagem às mestras e funcionárias da instituição.
Batizada ''Mulheres do Behair'', a mostra traz montagens sobre fotos de servidoras da escola e textos sobre cada uma, que transparecem afeto e admiração dos alunos por aquelas que muitas vezes são suas ''segundas mães''. Uma das diretoras da escola, por exemplo, teve o rosto colado no corpo de uma guerreira. ''Quisemos mostrar que são mulheres de personalidade forte'', explica um dos autores, o estudante do 3º ano Gabriel Moroni, 18 anos.
A iniciativa partiu de onde menos se esperava. Foram duas turmas do período noturno - horário escolhido pela maioria dos estudantes que trabalham - que passaram as últimas semanas sacrificando seu pouco tempo de folga para montar a exposição. ''Sou auxiliar de escritório e também ando correndo atrás dos preparativos para a nossa formatura. Mas acho que vale a pena reservar um tempo para atividades como essa'', afirma Elias Marques, 18 anos.
Outra prova de dedicação é que os próprios alunos, oriundos de bairros humildes da região, bancaram as despesas com revelação de fotos e outros materiais. ''Com tanta violência nas escolas, é legal que um colégio de periferia traga um exemplo positivo'', comemora a professora e diretora Kátia Regina de Oliveira Aquino.
Além de servir como uma bandeira contra a violência no ambiente escolar, a homenagem deu reconhecimento a funcionários que muitas vezes se sentem ''invisíveis'' ou também são desrespeitados. ''Gostei do trabalho, esses alunos têm futuro. Infelizmente, tem uns que vêm à escola só para bagunçar, desobedecer. Ficam pelo pátio ou nas janelas e, se você reclama, eles te respondem sem educação'', diz a zeladora Maria das Graças dos Santos, 52 anos, uma das personagens da exposição.
''Nesse trabalho nós nivelamos as pessoas, mostramos que professoras, diretoras, o pessoal da limpeza, são todas iguais'', aponta Elias. ''Elas merecem a homenagem. No dia-a-dia mostram que têm caráter e força de vontade para aguentar algumas barras pesadas'', ressalta a estudante Lidiane Regina dos Santos, 20 anos, que durante o dia trabalha como auxiliar de educação.
Por ''barras pesadas'', pode-se entender desde o desrespeito de alguns alunos - um deles foi visto pela reportagem dizendo à diretora que iria rasgar o papel de advertência - até o tráfico e o uso de drogas que ronda os jovens nos arredores do colégio. ''Entra nessa quem quer. Se você ficar na sua, não acontece nada'', afirma Lidiane.
Para a professora Susi Saito, que atualmente trabalha na biblioteca do colégio, grande parte dos alunos que causam problemas carecem de mais convívio com os pais. ''Eles vêm conversar comigo na biblioteca, falam de sonhos ou de coisas práticas. Trabalhos como a exposição e peças teatrais são importantes porque os estudantes estão tomando um espaço para se expressar. E a gente se surpreende com o resultado'', assinala.
''Nós os incentivamos a fazer atividades que os distraiam, os empolguem'', completa a diretora do noturno, Débora Rosane Gongora Oyola. ''Não temos presenciado episódios de agressão aqui dentro, mas estamos tentando justamente não deixar a violência chegar.''


