Alunos danificam escola em Maringá
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Lucinéia Parra 
Não foi fácil voltar às aulas ontem no Colégio Estadual Dr. Rodrigues Alves, localizado na Vila Morangueira, em Maringá. Há salas de aula sem porta, fechaduras danificadas e carteiras com lascas de madeira que podem machucar os alunos. O colégio encabeça a lista das escolas públicas de Maringá que estão em precárias condições, neste início de ano letivo.
Fundado há 50 anos, o colégio funciona no prédio atual há 25 anos. Segundo o diretor da instituição, Alcides Uber, não foi apenas a falta de recursos do governo estadual que levou à situação. Na opinião dele, o vandalismo praticado pelos alunos é o principal responsável pela depredação do colégio.
Alguns alunos ouvidos pela Folha ontem de manhã demonstraram insatisfação com as condições da colégio. Renan Baveloni Pereira, 13 anos, Thiago Garcia Tamura, 13, Sayuri Taruno, 14, e Lígia Valim Stropa, 13, afirmaram que os estragos já fazem parte da rotina. Eles admitiram que os próprios estudantes praticam vandalismo, estragando carteiras, portas e banheiros. Não adianta o diretor e os professores pedirem para a gente conservar o bem público porque os próprios alunos destroem tudo aqui, diz Sayuri. Segundo ela, a direção do colégio deveria ser mais dura. Se o diretor aplicar uma linha mais dura, talvez os alunos respeitem mais o patrimônio público.
Marcos NegriniLinha duraOs estudantes Ligia, Renan, Thiago e Sayuri sugerem punição severa contra colegas vândalosLígia, Thiago e Renan concordam com Sayuri e afirmam que já estão acostumados com os atos de vandalismo. Lígia, por exempo, cita o caso dos banheiros, onde a direção do colégio suspendeu o papel higiênico. Não pode mesmo deixar papel higiênico no banheiro feminino porque quando isso acontece, em poucos dias as patentes estão todas entupidas. As alunas fazem questão de jogar o papel nas patentes. Thiago e Renan denunciam o vandalismo praticado contra carteiras e portas. Eles revelam que é comum ver alunos retirando lascas de madeira das carteiras.
Os alunos da 5ª série B iniciaram as aulas ontem em uma sala sem porta. Tivemos que tirar a porta porque ela foi totalmente danificada, justificou Uber. Praticamente todas as salas de aula estão com problemas. Uber conta que os alunos esmurram as portas e retiram as lâminas que revestem a madeira. A cada dia, eles vão retirando as lascas de madeira, até destruir totalmente a porta.
O colégio está incluído na segunda etapa do Programa de Expansão, Melhoria e Inovação no Ensino Médio do Paraná (Proem), que prevê reformas e ampliação dos colégios estaduais. As obras desta segunda etapa estão previstas para este ano, mas de acordo com Uber, ainda não há uma definição sobre a data de início.


