Caroline Fernanda Hei Wikuats e Eduardo Henrique Duarte, da UTFPR
Caroline Fernanda Hei Wikuats e Eduardo Henrique Duarte, da UTFPR | Foto: Marcos Zanutto



As cooperativas de reciclagem possuem diversas atividades que promovem a suspensão e geração de poluentes, tanto de micro-organismos como de material particulado. Diante disso, a aluna de mestrado em Engenharia Ambiental da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), Caroline Fernanda Hei Wikuats, e o aluno de pós-doutorado do programa de Engenharia Ambiental da mesma universidade, Eduardo Henrique Duarte, estão realizando medições da qualidade do ar na Cooper Região, uma das sete cooperativas de coleta de material reciclável que operam em Londrina. Eles coletaram amostras de amostras de partículas presentes no ar dentro e fora dos barracões.

"A Cooper Região possui uma grande quantidade de resíduos armazenados. Nem sempre eles são enxaguados em casa pela população, por isso esses materiais vêm para cá e muitas vezes ficam meses até serem segregados e isso pode gerar bactérias e fungos, que são liberados na sua forma de aerossol quando são manuseados, ou seja, quando os cooperados abrem os sacos para separar os resíduos", destacou Wikuats. "Temos equipamentos que medem material particulado, que a grosso modo é a poeira suspensa no ar. A gente faz a análise da presença de bactérias e fungos por meio de placas de petri. Deixamos elas expostas por dez minutos tanto dentro como fora do barracão. Depois essas placas são levadas para um laboratório, onde são colocadas em uma estufa para analisar o crescimento desses micro-organismos. Com esse resultado é possível ter uma noção de como está a quantidade de bactérias e fungos na cooperativa", destacou.

Duarte explica que serão realizadas análises de marcadores inflamatórios que favorecem a inflamação do pulmão. "Com esse resultado verificamos se existe relação com os poluentes detectados no ar. Dependendo do resultado que obtivermos, se a qualidade do ar não estiver boa, poderemos dar sugestões de como lidar com isso", destacou. No fim de 2018 foi realizada uma coleta de sangue dos cooperados. Com esses resultados dos exames de sangue será realizada a comparação com as medições da qualidade do ar para averiguar se há uma relação disso com a saúde dos cooperados.

Para a diretora financeira da cooper Região, Verônica Cardoso, a pesquisa é válida. "É muito bom ter a UTFPR como parceira. Há muitos anos ela está com a gente. Tudo o que traz de conhecimento para auxiliar a gente é bem-vindo", destacou. Ela apontou que outras pesquisas capitaneadas por alunos da instituição já foram realizadas ali. "Alguns estudantes já fizeram medições do nível de ruído; outros se reuniram com o grupo de educação ambiental. Deixo um convite para as demais universidades que quiserem trabalhar com a gente que a gente está de portas abertas para colaborar com o estudo deles", declarou.

LIMITE
A Anvisa determina como limite para a presença de fungos em ambiente fechado a medida de 750 unidades formadoras de colônia por metros cúbicos. As legislações internacionais são atualizadas regularmente e apresentam limites bem inferiores. A Organização Mundial de Saúde determina 500 UFC/m3. E a American Conference of Governmental Industrial Hygienists determina 250 UFC/m³. Em um trabalho realizado em três cooperativas da cidade de São Paulo, foram detectados 751 UFC/m3 em uma das esteiras (local onde os materiais passam durante a triagem de materiais).

Na pesquisa paulistana, conduzida pela farmacêutica Gisele Ferreira de Souza, foi constatada a presença dos fungos Aspergillus spp., Fusarium spp., Penicillium spp., Cladosporium ssp., Nigrospora ssp., Rhizopus ssp., Mucor spp., e fungos não esporulados. Os três primeiros são toxigênicos (ao decompor um alimento, eles podem liberar micotoxinas, substâncias químicas tóxicas para o ser humano). O mais tóxico é o Aspergillus spp. e foi exatamente este o fungo mais encontrado nas amostras paulistanas: ele causa arpergilose, doença que gera problemas respiratórios e na pele. Já o Mucor spp. não é toxigênico.

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