Alunos da Unioeste protestam durante chegada de secretário
O secretário estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, está em Cascavel para se inteirar de todas as deficiências da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Ontem, ele esteve reunido com o reitor Erneldo Schallemberger, pró-reitores, diretores dos quatro câmpus regionais e de centros acadêmicos.
Ao chegar a Unioeste, foi recebido por alunos sem aula, que portavam faixas e cartazes protestando pela falta de estrutura material e de recursos humanos. O protesto não foi agressivo, inclusive porque imediatamente o secretário se dirigiu aos alunos, ouviu as reivindicações e recebeu cópia de uma Carta à População do Oeste, distribuída pelo Diretório Central de Estudantes.
A Unioeste, reconhecida há apenas quatro anos e ainda em fase de consolidação, está dando início a quatro novos cursos e prepara a implantação de outros 17, mas já na abertura do ano letivo há muitas turmas sem aulas por falta de professores, faltam laboratórios, material de expediente e até sanitários são mantidos fechados por falta de funcionários.
Hoje, também estarão em Cascavel os secretários Armando Raggio (Saúde), Eduardo Sciarra (Indústria e Comércio) e Sérgio Spada (Proteção e Defesa do Consumidor), e Ibrahin Faiad, presidente da Agência de Fomento do Paraná, e vários deputados, para dar sequência às discussões sobre os problemas da Unioeste e, principalmente, para avaliar o processo para transformação do Hospital Regional de Cascavel em hospital universitário (HU) para os cursos da área médica da Unioeste.
O HU deverá estar oficializado obrigatoriamente nos próximos meses porque o curso de medicina entra em seu terceiro ano, quando é indispensável o estágio dos alunos.
Ramiro Warhahftig disse que uma demonstração de que a Unioeste está merecendo tratamento diferenciado, na proposta de autonomia para as instituições públicas de ensino superior, é a disposição de rever o volume de recursos que deve ser destinado a ela este ano. Inicialmente, eles seriam reduzidos, com corte de 10% sobre os R$ 19,5 milhões do ano passado.
Segundo o reitor Erneldo Schallemberger, o mínimo necessário é R$ 25 milhões. O secretário observou que nas discussões sobre autonomia financeira o governo divide as instituições em mais consolidadas, casos da UEL (Londrina), UEM (Maringá) e UEPG (Ponta Grossa), em fase de consolidação (Unioeste e Unicentro, de Guarapuava), e as faculdades isoladas.
Ramiro espera que até o final da próxima semana haja um acordo com as instituições para que seja levado à prática o projeto de autonomia. Por enquanto, a Unioeste e a Unicentro precisam solicitar e esperar a liberação de recursos do governo escalonadamente ao longo do ano, em processos sempre complicados, enquanto as universidades mais consolidadas obtiveram na Justiça a autonomia na aplicação de recursos.
Se até o final da próxima semana não estiver fechado o acordo (o volume de recursos a ser destinado é a discussão principal) o Estado deverá providenciar a contratação, pelo menos de parte dos 82 professores já concursados pela Unioeste, e esperando nomeação.Edson MazzettoCriseSecretário de Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, está em Cascavel se inteirando dos problemasPaulo Pegoraro





