Alunos da UEPG fazem protesto na Assembléia
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quarta-feira, 21 de maio de 2003
Maria Duartee Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma caravana de 20 ônibus, com cerca de 300 pessoas, deslocou-se ontem à tarde para Curitiba para pressionar o governador Roberto Requião (PMDB) a rever sua decisão de fechar o curso de medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). No último dia 12, Requião baixou o decreto, fechando o curso. O governador argumenta que não há estrutura adequada, na cidade, para oferecer um ensino de qualidade. Assim que a caravana chegou à Assembléia Legislativa, no Centro Cívico, onde ficam os três poderes, a bancada de oposição ao governador apresentou um projeto de decreto legislativo com o objetivo de suspender a decisão de Requião. A proposta da oposição, no entanto, ainda precisa ser aprovada pelo plenário. Os 40 alunos de medicina estão assistindo às aulas desde março.
O grupo de estudantes da UEPG ocupou as galerias da Assembléia. Com faixas pedindo a reabertura do curso e gritando palavras de ordem contra a atitude do governador, os manifestantes foram o assunto do dia no plenário. Oposição e situação se revezaram na tribuna, com discursos contra a favor, respectivamente, da suspensão do curso. O deputado Plauto Miró Guimarães (PFL) que tem base eleitoral na região dos Campos Gerais e é um dos defensores ardorosos da manutenção do curso pediu regime de urgência na tramitação do projeto de decreto legislativo. A expectativa da oposição é de que o projeto seja votado ainda este mês.
Mas o líder do governo na Casa, deputado Angelo Vanhoni (PT), já avisou que a maioria governista será orientada a derrubar a proposta. ''Vamos acompanhar de perto a tramitação desse projeto nas comissões'', disse o petista.
Um dos principais argumentos dos governistas é que a manutenção do curso custará muito caro. Mas, de acordo com Plauto Miró, há alternativas para barateá-lo em cerca de 60%. Ele sugeriu que, para não ter que se investir em um hospital universitário, o governo poderia fazer convênio com o Hospital Municipal ou com a Santa Casa de Misericórdia. Há poucos dias, a Câmara de Ponta Grossa ofereceu R$ 1,5 milhão de seu orçamento para investimento no curso de medicina da universidade.
O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, recebeu um grupo de manifestantes, no Palácio Iguaçu, no final da tarde. Os estudantes entregaram um abaixo-assinado com cerca de 20 mil assinaturas contra a suspensão das aulas. Porém, de acordo com Quintana, o governador não vai recuar na sua decisão. Segundo ele, isso não significa que o curso foi extinto. Para o secretário, está ''suspenso de forma temporária'', o que não impede que volte a funcionar no futuro.


