Cerca de 30 alunos do curso de Artes Visuais da Universidade de Londrina (UEL) estiveram reunidos, na manhã de ontem, em frente aos restos da marquise do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa). O objetivo foi protestar contra a retirada de um trabalho acadêmico que tinha sido produzido no local, que permanece intacto desde o desabamento da marquise, em 11 de fevereiro, durante a realização do XXVI Congresso Brasileiro de Zoologia, e que resultou na morte de dois alunos e ferimentos em outros 22.
Produzido pelas alunas do 2º ano matutino, Lourides Aparecida Francisconi e Regina Satiko Taquaki, o trabalho fazia parte da disciplina Expressão Tridimensional III e tinha como objetivo representar o ''descaso com a coisa pública'', como explicou uma das alunas.
A produção das alunas reunia uma cruz de madeira com um lenço vermelho amarrado, além de dois pedaços de vidros contendo três fotografias, cada uma representando um ''olhar diferente'' da marquise. ''A primeira foto mostra a marquise de perto, quando aconteceu o fato. As demais mostram a marquise já distante, representando a questão do tempo e o esquecimento das pessoas diante do acontecimento. Pessoas morreram aqui e ninguém mais fala disso'', comentou.
A obra ficou pronta no último sábado e seria avaliada na segunda-feira pelo professor Kennedy Piau junto dos demais alunos do curso, mas, segundo o professor, o trabalho foi retirado antes mesmo que todos pudessem ver. ''A avaliação é feita coletivamente e nem todos puderam ver. A idéia das alunas correspondeu às exigências da disciplina, que era resignificar um determinado espaço do campus com poucos recursos. Isso foi feito e o objetivo delas foi de reivindicar um local que está abandonado, além de respeito pelo acontecimento. Se não tivermos liberdade de nos manifestar por meio da arte dentro do campus universitário, onde mais teremos?'', questionou o professor.
Ainda segundo Lourides, o trabalho teria sido retirado a pedido da direção do Cesa. Para o protesto, o trabalho das alunas foi montado novamente, dessa vez, junto com trabalhos de outros alunos que, vestidos de pretos, apoiaram a idéia das estudantes. ''Um absurdo esse procedimento da diretoria do Cesa, isso é repressão'', comentou outra aluna de Artes, Michele Ferreira. A reportagem não conseguiu localizar a direção do Cesa para comentar o assunto.

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