Alunos da UEL podem perder bolsa-auxílio
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sexta-feira, 03 de agosto de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Medo e tristeza. ''Trabalhei três anos. Temos bons resultados, projetos de iniciação científica sendo concretizados e mais outros indicativos positivos das ações e, de repente, a gente percebe que pode perder tudo.'' A sensação de impotência é da estudante de Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Juliana Franco, 24 anos. Ela e outros 49 alunos da instituição podem perder uma bolsa de estudo, no valor de R$ 300,00, repassada mensalmente pelo Ministério da Saúde ao Programa Brasil Afroatitude.
A UEL é uma das dez universidades públicas do país que integram o projeto e que recebem a verba do Programa Nacional de DST e Aids, para o desenvolvimento de projetos científicos e de extensão em quatro eixos temáticos: combate às DST e Aids, combate ao preconceito racial, vulnerabilidade social e direitos humanos. Além do Ministério da Saúde, são parceiras do projeto as secretarias Especiais de Direitos Humanos, de Políticas de Promoção de Igualdade Racial e de Ensino Superior.
''O combinado, há dois anos, era que anualmente seriam revezados os gestores e os fomentadores do Afroatitude, mas entre todos os parceiros só o Ministério da Saúde fez o repasse de verbas e agora não há mais condições de manter o projeto, mesmo com todos os bons resultados dele'', lamenta o coordenador nacional do Brasil Afroatitude, Adailton da Silva. Para o coordenador local, Frederico Fernades, a sensação é de ter ''morrido na praia''. ''A questão não é só a falta de repasse de verbas, que é primordial, mas também o fato de termos formado esses alunos para serem multiplicadores e pesquisadores e agora tudo parar. O diferencial do Afroatitude é que além da pesquisa científica, esses alunos estão envolvidos diretamente com a sociedade.''
Para participar do projeto da UEL, que começou em 2005, o aluno deveria integrar as cotas raciais. ''Também foi feita uma triagem sócio-econômica e dos 300 cotistas, aproximadamente, 50 foram selecionados'', completa. Todos os estudantes deveriam, obrigatoriamente, participar de projetos de pesquisa e extensão vinculados aos eixos temáticos do Programa Afroatitude e não poderiam ter vínculo empregatício. ''Esses alunos vão perder a bolsa, procurar emprego para se sustentar, porque a maioria não tem os pais por perto, e não terão possibilidade de dar continuidade às ações do projeto.''
É o que deve acontecer com Juliana. Ela é nascida no interior paulista e está em Londrina desde 2005. Sempre passou a maior parte do tempo na universidade, envolvida com as ações do Afroatitude e também com as atividades de iniciação científica do curso de Letras. ''Eu pago minhas despesas de moradia e alimentação, além do vale-transporte, com esse dinheiro. Não tenho outra fonte de renda. Se perder, vou ter que procurar emprego e o problema disso é que terei que deixar as atividades acadêmicas que eu gosto de realizar e que têm dado bons resultados.''
Para tentar dar continuidade ao projeto, o coordenador nacional do programa explica que uma mobilização está sendo realizada junto aos parlamentares federais, ao Banco Interamericano de Desenvolvimento e ao MEC. ''Não temos qualquer resposta ainda, mas esperamos que alguma dessas frentes de trabalho dê certo''.
O reitor da UEL, Wilmar Marçal, encaminhou na última semana, ofícios à Fundação Araucária - órgão de fomento à pesquisa do Estado - e à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior solicitando auxílio e o pagamento das bolsas. ''Estou confiante de que receberemos ajuda do Estado, pois este projeto, envolvendo esses alunos, não pode acabar.''


