Alunos da UEL desenvolvem produtos que promovem a inclusão
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sexta-feira, 11 de outubro de 2019
Pedro Marconi - Grupo Folha 

A atividade de uma das disciplinas do curso de administração da UEL (Universidade Estadual de Londrina) conseguiu unir teoria e prática com inovação em prol das minorias. Alunos do sexto semestre noturno confeccionaram produtos, a partir do debate e aprendizado na disciplina “administração de marketing um”, pensando em todo o seu contexto. Além disso, o produto deveria ser novo, apresentando diferenciais em relação ao que já existe. Uma exposição ocorreu nesta semana para apresentar os resultados.
De acordo com o professor João Luiz Gilberto de Carvalho, responsável pela disciplina e que orientou o projeto, o produto desenvolvido deveria ser um bem físico que atendesse os apelos de minorias e diversidade para um público consumidor. Não poderia ser prestação de serviços. “No marketing existem os segmentos e o nicho de mercado. Este segundo é pequeno. Então, a minoria é um nicho que alguém poderia dar atenção, não sendo apenas a questão da pessoa marginalizada”, explicou.
Os 52 estudantes da turma envolvidos no trabalho criaram dez produtos, a maioria voltada à inclusão social, como mesa de apoio para cama para quem tem deficiência motora, calça para cadeirantes, identificador de chaves e etiqueta de roupas para deficientes visuais, facilitador de lavagem de pés para aqueles com dificuldade de mobilidade, livro infantil em braile e cookies veganos, entre outros.
"Deveriam ‘dar vida’ para funcionar e não focar apenas no plano de negócio”
JOÃO LUIZ GILBERTO CARVALHO -
“Dentro da disciplina de ‘administração e marketing um’, no primeiro semestre, falamos sobre produtos, gestão de embalagem, gestão da marca. Todo o semestre dou um tema para os alunos e, desta vez, ficaram livres para pensar e entenderam que minorias seria interessante”, detalhou. “Não era apenas para inventar. Tinha que ser um produto que conseguissem produzir. Deveriam ‘dar vida’ para funcionar e não focar apenas no plano de negócio”, ressaltou.
Diante da responsabilidade e das regras, os estudantes buscaram informações com especialistas e pessoas que vivenciam no dia a dia os dilemas de encontrar poucos produtos que respeitam suas limitações. “Conversaram com nutricionista para montar a tabela nutricional, dermatologista”, exemplificou o docente. Os protótipos têm tamanho real do produto, embalagem com apelo comercial, logomarca e demais informações para o consumidor, deixando tudo bem realista.
EXPOSIÇÃO
Como continuidade do projeto, foi promovida na terça-feira (8), no corredor principal do Cesa (Centro de Estudos Sociais Aplicados), no campus universitário, uma exposição apresentando e demonstrando todos os itens. O evento chamou atenção de diversos professores e alunos que passaram pelo local e se atentaram às explicações. “Neste segundo semestre temos ‘administração e marketing dois’. Eles organizaram toda a exposição, montaram a logística, pediram as autorizações.”

Entre os inúmeros produtos exibidos esteve um protetor solar para pessoas albinas. “Definimos o nicho e optamos pelos albinos por uma amiga de um dos integrantes do grupo ter o distúrbio. Pensamos, inicialmente, em roupas, porém, conversando, ela relatou da dificuldade de encontrar protetor que atenda suas necessidades”, contou Henrique Caloi de Aguiar, 26. “Procuramos uma dermatologista que elencou a necessidade de fator alto de hidratação, por conta de pele sensível. Isso pode ser desenvolvido com preço acessível”, acrescentou.
AUTISTAS
Já o grupo de Nicole Napoli, 29, formatou uma mesa didática de rotina para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista). Segundo a estudante, o objetivo é facilitar a vida das crianças com autismo a organizar suas tarefas e expor o humor com figuras. “Ajuda a desenvolver algumas habilidades e coordenação motora. Com esta mesa, por meio de peças, a criança estabelece como será seu dia e, com isso, lida melhor com as situações que venham acontecer”, esclareceu. Como trabalha numa escola, levou o produto para um garoto autista matriculado usar. “É tudo bem dinâmico e lúdico”, resume.

CONTINUAÇÃO
Focada em quem tem algum tipo de deficiência motora permanente ou temporária, a “Facilit” é uma tábua de corte de alimentos para proporcionar praticidade, autonomia e segurança a essas pessoas. “Essa tábua tem peças para fixação do alimento, ganchos, elásticos e ralador. As peças são removíveis. Vimos algo parecido no mercado, porém, não tão completo quanto a nossa. Foi um desafio e experiência legal. O tio de uma das integrantes, que mora sozinho e ficou com braço enfaixado por conta de um acidente, colaborou”, mencionou Micheli Mayumi, 22.
Por ter finalidade didática, não foram considerados custos de produção, viabilidade econômica e apresentação de preço real de venda. A ideia é seguir com o projeto em disciplinas futuras da área financeira.
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