Alunos da UEL boicotam Enade
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segunda-feira, 07 de novembro de 2005
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Aconteceu ontem a segunda edição do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes Enade 2005. Neste ano, a prova avaliou 344.501 estudantes do primeiro e do último ano de 13 cursos de graduação de instituições de ensino superior públicas e privadas em todo o País.
O exame faz parte do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), instituído em 2004 com o objetivo de melhorar a qualidade da educação de terceiro grau. Substituto do Exame Nacional de Cursos (o antigo Provão), o teste é obrigatório e os alunos participantes são definidos por sorteio.
Em Londrina, 1.800 acadêmicos (dos 2.346 inscritos) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) participaram da avaliação, realizada no Colégio Universitário, Colégio Estadual Vicente Rijo e IEEL. As faculdades e universidades particulares da cidade não divulgaram o número de alunos selecionados para o Enade.
Os Centros Acadêmicos dos cursos de ciências sociais e história da UEL promoveram um boicote ao exame, orientando os colegas a entregar a prova em branco. Os estudantes receberam um adesivo alusivo ao movimento para colar na avaliação. Dez minutos após o início da prova, cerca de sete acadêmicos de ciências sociais já se encontravam do lado de fora do Colégio Universitário, local de prova também dos cursos de filosofia, ciências da computação e matemática.
''Dos quase quarenta alunos da nossa sala que iriam fazer a prova, todos resolveram boicotar'', conta Débora Duarte, 21 anos, do primeiro ano de ciências sociais. ''Falta esclarecimento por parte do governo, principalmente em relação ao que vai acontecer às universidades de acordo com seus desempenhos'', justifica.
Estudantes que não foram selecionados também compareceram aos locais de prova, alguns deles munidos de um informativo explicando o que é o Sinaes, chamando a atenção a detalhes da lei que o instituiu e encerrando com o tópico ''Por que zerar no Enade?''.
Mesmo sem estar a par do movimento dos estudantes de seu curso, Diego Rodrigues, 24 anos, que está concluindo a licenciatura e não frequenta as aulas com o quarto ano, também decidiu não fazer a prova. ''Essa questão deve ser muito bem debatida, senão as universidades correm o risco de virar cursos preparatórios para o exame'', justifica.
Já a acadêmica do primeiro ano de letras que se identificou como Lívia Pâmela estava decepcionada por ter chegado atrasada à avaliação. ''Sou a favor do Enade por considerar que essa é a única forma de o governo conhecer o rendimento da universidade'', explica. Segundo a estudante, se essas informações forem bem aproveitadas, vai ser possível avaliar e comparar a qualidade de ensino das instituições públicas e privadas.
Porém, essa posição vai de encontro com a de boa parte dos estudantes de seu curso, que, mesmo sem o envolvimento do centro acadêmico, também optaram por entregar a avaliação em branco no Vicente Rijo (local de prova dos cursos de geografia, biologia, letras, física e história).
No IEEL, foram avaliados os alunos de engenharia, arquitetura, pedagogia e química.


