Alunos da Fecilcam bloqueiam rodovia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de março de 1999
Sid Sauer 
Cerca de 80 alunos da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam) e do Colégio Agrícola realizaram ontem à tarde um protesto contra a falta de professores. Eles fecharam por cerca de um hora a rodovia BR-158, na saída para Maringá. A rodovia é a mais movimentada da região e chegou a formar filas de aproximadamente 500 metros, apesar dos carros serem liberados aos poucos e a Polícia Rodoviária orientar desvios. Houve queixa dos motoristas.
Queremos a contratação imediata dos professores necessários para a Fecilcam, explicou o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Carlos Rogério Alves Ferreira. Segundo ele, a falta de professores está ameaçando os novos cursos de engenharia agroindustrial e matemática, implantados no ano passado, que são os mais prejudicados. O governador fez festa para lançar os cursos e esqueceu de contratar os professores.
O protesto de ontem iniciou em clima tenso. A Polícia Militar mandou ao local um forte esquema de segurança, inclusive com policiais armados com escopetas. O tenente Cristian Goldoni, que comandava as operações, pediu que o presidente do DCE suspendesse o fechamento da rodovia e disse que Ferreira seria o responsável por qualquer acidente que eventualmente ocorresse no local.
O DCE tinha comunicado o comando que apenas faria uma distribuição de panfletos e não o fechamento da estrada, explicou Goldoni. Por várias vezes os estudantes recuaram para o acostamento, mas voltavam a fechar a estrada em seguida. Para fechar a estrada, eles não usaram nenhum veículo, apenas invadiram a pista com faixas de protesto. Queremos estudar mais o Jaime Lerner não quer deixar, dizia uma delas.
Privatização Segundo o DCE, a Fecilcam precisa contratar 17 professores para normalizar a situação dos mais de dois mil alunos matriculados. Seis deles já estão aprovados em concurso público desde o ano passado, mas ainda não foram nomeados pelo governo do Estado. Os outros 11 precisam passar por um teste seletivo ou por um novo concurso. A falta de professores atinge também o Colégio Agrícola, que é mantido pela Fecilcam.
Ferreira alega que a faculdade não recebe recursos do governo do Estado desde novembro do ano passado. A instituição está sendo mantida com recursos próprios arrecadados com a realização do vestibular e de cursos de pós-graduação, ressalta o presidente do DCE. Isso é uma privatização disfarçada, protesta o estudante Osmar Santana de Alencar, 29, do primeiro ano de geografia. Ele começou a estudar este ano e está sem parte dos professores.
A diretora da Feciclam, Sinclair Pozza Casemiro, confirma que vem pedindo a contratação dos professores desde o ano passado. Em reunião no início do mês com o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, ela recebe a informação de que a contratação depende de autorização do Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal do Estado (Crafe), o que pode acontecer somente a partir do final do mês.


