Israel Reinstein
De Curitiba
Dois a cada dez alunos matriculados em escolas da área rural conseguem completar os oito anos de ensino fundamental. Segundo levantamento do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos e Rurais (Deser), por causa da evasão escolar, menos da metade (48%) dos alunos do campo terminam os quatro primeiros anos de estudos. Essa pesquisa foi apresentada ontem no seminário estadual ‘‘Educação e Agricultura Familiar’’, realizado em Curitiba.
‘‘A situação do Paraná é pior da região Sul e não apresenta sinais de mudanças’’, disse Claodete Maria Solak, coordenadora do projeto Terra Solidária, da Central Única dos Trabalhadores. Ela explica que o alto índice de evasão escolar está associado a falta de investimento e de uma política que mude o sistema de educação no campo.
‘‘As aulas no campo seguem a mesma metodologia empregada nas áreas urbanas’’, afirmou. ‘‘Isso é incoerente, porque as demandas dos agricultores são diferentes de quem vive na cidade’’, acrescentou. Ela explica que, por causa da safra, os agricultores familiares acabam retirando seus filhos das escolas para ajudá-los na colheita. ‘‘Eles precisam dessa mão-de-obra para ajudar na renda familiar’’, avaliou. Além disso, falta transporte para levar as crianças das propriedades às escolas.
Claodete Solak afirmou que as mudanças para manter os alunos na sala de aula não são complicadas. Uma das propostas, que estava sendo discutido no seminário, era que o calendário fosse adaptado conforme a safra.
Ela propôs que a grade curricular tenha enfâse maior nos assuntos agrários. ‘‘O estudante precisa saber que o que aprende serve e pode ser usado na sua propriedade’’, afirmou. No entanto, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Educação afirmou que já existem projetos similares desenvolvidos pelo governo.
Outra ponto discutido é que as prefeituras e governo estadual trabalhem em conjunto para fornecer transporte para os alunos, ou então que estimulem instituições privadas a criar locais que formem e certifiquem novos alunos.

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