Alunos da Apae se integram à sociedade
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de janeiro de 1997
Cerize Gomes Correspondente 
GUARAPUAVA - O atendimento a portadores de deficiência mental, que começou em Guarapuava em 1976 com a fundação da Apae - Escola Anne Sullivan, atende atualmente 250 alunos, entre três meses e 46 anos, portadores de deficiência mental severa ou moderada, sindrome de Down e outras doenças isoladas, além de portadores de paralisação cerebral.
A Apae de Guarapuva desenvolve vários programas com objetivo de reabilitar e orientar os portadores de deficiência para as atividades cotidianas. Diferente dos portadores de casos mais leves, que são atendidos nas classes especiais, os alunos da Apae normalmente não desenvolvem um programa extenso de escolaridade devido ao grau de defasagem intelectual que é fruto das síndromes que apresentam, salienta a diretora Tecla Hikavei.
O programa pedagógico da escola conta com educação motora, pré-escola, treinamento básico, reabilitação motora e pré-profissionalizante. Os alunos participam de vários programas de iniciação ao trabalho no sistema de oficinas, com atividades de marcenaria, pintura em tecido e madeira, tricô, crochê, bordado, jardinagem, horticultura, panificação, fábrica de macarrão e lava carro.
Os produtos fabricados são comercializados em exposições e na loja do Clube de Mães, que funciona junto à Apae. O dinheiro arrecadado com a prestação de serviços e com a venda dos trabalhos confeccionados são repassados para os alunos como forma de pagamento e também de estímulo.
O presidente da Apae em Guarapuava, Emílio Mudrey, acredita que a associação está cumprindo seu compromisso de integrar os portadores de deficiência mental com a sociedade. Essa integração fica evidente na participação da escola nos eventos culturais e esportivos, exposições e desfiles.
A Apae conta hoje com banda de música, coral, grupo de performance teatral e está formando uma equipe para competições esportivas. Os trabalhos e apresentações dos alunos são sempre recebidos com emoção pela comunidade, que está despertando para a importância da Educação Especial, através do trabalho da Apae, salienta Mudrey.
DificuldadesUma das maiores dificuldades para a Educação Especial está na falta de profissionais como psicológos e pedagogos. Essa necessidade impede que os processos de avaliação sejam executados com rapidez e faz com que muitos alunos deixem de ser avaliados.
Para suprir essa necessidade, a Unicentro oferta estudos adicionais, que são uma exigência para os professores que querem trabalhar com portadores de deficiência mental. A coordenadora de Estudos Adicionais, Bernadete Karpinski, diz que existe uma série de problemas para a realização dos cursos.
Os custos altos não podem ser mantidos somente pela universidade. Além disso, os professores participantes são de vários municípios, formando turmas de final de semana, o que prejudica o desenvolvimento do programa. Todas essas questões estão sendo discutidas e avaliadas, diz Karpinski.
ENTIDADES
- APAE - Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais
- APADAG - Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos de Guarapuava
- APADEVI - Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Visuais de Guarapuava.
- ADFG - Associação dos Deficientes Físicos de Guarapuava
- FUBEM - Fundação do Bem Estar do Menor
- UNICENTRO - Universidade Estadual do Centro-Oeste
- NRE - Núcleo Regional de Ensino (Escolas Santa Cruz, São José, Mattos Leão e Rubens Fleuri).


