Cambé Um projeto de cultivo de flores em estufas desenvolvido pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Cambé (13 km a oeste de Londrina) prepara o jovem para o mercado de trabalho na área agoindustrial. O projeto é desenvolvido dentro do Programa de Educação profissional, que oferece atividades laborais aos seus alunos a partir dos 16 anos. Para isso, a entidade construiu uma estufa com capacidade para 5 mil mudas de flores.
O projeto de autoria do engenheiro ambiental Leandro Vieira D'Ambrósio vai se somar a mais uma oficina dentre as outras nove já existentes na Apae e terá como objetivo treinar e capacitar os alunos em jardinagem e plantas ornamentais. A idéia é produzir já para o Dia das Mães cerca de 400 amarilis.
Posteriormente, a intenção é ampliar a produção com espécies como a gérbera, lírio e crisântemo. ''São os alunos que vão cuidar de tudo, observando se a planta tem luminosidade suficiente, se a temperatura está adequada se a umidade relativa do ar está dentro dos padrões, enfim eles é que estarão à frente do negócio'', enfatizou o engenheiro.
D'Ambrosio já tem uma boa experiênmcia com flores. Ele executou o projeto do Lixo às Flores, idealizado pelo carnavalesco Joãozinho Trinta, que transformou o antigo lixão de Guarulhos (SP) em um núcleo de produção de flores, gerando emprego para as famílias de catadores de lixo. Ele recebeu prêmio da Unesco na França há seis anos.
Em Cambé, a estufa foi construída com recursos próprios da entidade, num terreno de 500 metros quadrados arrendado nos fundos da Apae. Só falta agora começar a produzir as flores. Segundo D'Ambrósio, a estufa foi adaptada à realidade da região e funciona com sistema de irrigação. Para o cultivo, serão utilizadas mudas e sementes geneticamente modificadas.
Os alunos da entidade vão trabalhar ainda com um cronograma anual para atender todas as datas comemorativas, como dia dos Namorados, Finados, Natal épocas em que a produção será ampliada. Os vasos serão vendidos a preços menores que nos mercados e floriculturas da cidade.''É possível vender as plantas mais baratas porque a região é abastecida por Holambra (SP). Sem precisar investir em transportes, por exemplo, é possível fazer por um custo menor''. observou D'Ambrósio, que desenvolveu projeto semelhante nas Apaes de Bela Vista do Paraíso, Ibiporã, Porecatu e Cambira. Em São Sebastião da Amoreira, uma ONG toca o projeto num orfanato de crianças.
Em Cambé, os trabalhos contarão inicialmente com o apoio de 15 alunos da Apae podendo este número ser ampliado. Também é idéia futuramente trabalhar com hidroponia na estufa. De acordo o presidente da entidade, Erasmo Machado, o objetivo é capacitar esses alunos para que eles tenham uma atividade profissional, além de prepará-los para o exercício da cidadania e inclusão social. A coordenadora de Educação Profissional da entidade, Alice Saloio, lembra que a entidade já chegou a ter um canteiro de flores, mas não tinha técnica. ''Agora será um trabalho mais profissional'', garantiu. A Apae de Cambé tem 235 alunos de zero a 38 anos.

mockup