Alunos criticam mudanças em supletivo
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sexta-feira, 28 de fevereiro de 1997
Célia Baroni 
Dorico da SilvaInsatisfaçãoSala quase vazia no colégio Anchieta: alunos de supletivo tiveram surpresa na volta às aulas Alunos do supletivo de 2º grau do colégio estadual José de Anchieta (centro) estão insatisfeitos com as mudanças no sistema de ensino implantadas pela Secretaria Estadual de Educação este ano. E ameaçam fazer mobilizações contrárias ao projeto. O projeto está em fase experimental e nós não queremos ser cobaias, correndo o risco de perder tempo valioso de estudo, afirma a auxiliar de enfermagem Clarice de Fátima Sampaio, 41 anos, que está iniciando o 2º grau.
Ela afirma que os alunos só descobriram a mudança esta semana, com o início das aulas, e não gostaram de saber que vão precisar ficar seis meses a mais nos bancos escolares. Outra insegurança dos estudantes, diz Clarice, é quanto à possibilidade de, eventualmente, precisarem se transferir para uma escola onde o projeto não tenha sido implantado.
Estamos sem saber se outros colégios vão aceitar a gente, ou se vamos perder o que cursamos, afirma. Clarice questiona ainda o fato de que os alunos não foram consultados para saber se queriam ou não fazer parte do projeto. Se a Secretaria está preocupada com a qualidade do ensino, tem também de dar atenção à nossa opinião, critica a estudante.
No sistema tradicional, o supletivo condensa os três anos do 2º grau em dois anos. Mas o projeto da Secretaria de Educação aumentou o tempo de conclusão para dois anos e seis meses, compondo a grade curricular em cinco blocos de disciplinas, cada um com duração de um semestre. Os blocos um e dois correspondem ao primeiro ano do segundo grau. O terceiro bloco, ao segundo ano. E os blocos quatro e cinco, ao terceiro ano.
A coordenadora da equipe de ensino da Secretaria Estadual de Educação em Curitiba, Noêmia Farinha de Oliveira David, tranquiliza os alunos do supletivo. Ela esclarece que o projeto está sendo implantado gradativamente, mas vai atingir todo o sistema supletivo do Estado. Este ano, 100 colégios, em todo o Estado, implantaram o projeto. Ele foi elaborado pelos professores de supletivo dos 30 núcleos de ensino do Estado. E o único objetivo é melhorar a qualidade do curso, adequando o sistema à necessidade dos alunos, diz Noêmia.
O semestre a mais acrescentado à grade curricular, afirma, foi consequência da retirada das aulas do sábado, obrigatórias pelo sistema tradicional. A clientela do supletivo é de trabalhadores e a maioria dá expediente aos sábados. Isto prejudicava o aproveitamento do estudante e levava, muitas vezes, alunos à desistência, conta. Reduzir a evasão e repetência são as prioridades do projeto.
Segundo a coordenadora, a divisão em blocos de disciplinas vai facilitar o aproveitamento do conteúdo, sem forçar os limites físicos do aluno. Este sistema, afirma, permitiu ainda a implantação de curso de férias, para reforçar a matéria em que o estudante encontra dificuldades e acaba sendo reprovado. Noêmia diz ainda que o novo sistema permite que o aluno avance nos blocos, deixando a disciplina que considera mais difícil para o final do curso.


