Alunos conscientizam produtores rurais
Com a ajuda de técnicos do IAP, grupo de estudantes sai a campo orientanto e fiscalizando a proteção das matas ciliares
Sid Sauer

Simone Giroto
MobilizaçãoAlunos do Colégio Estadual Campina da Lagoa, em uma das áreas às margens do córrego Água da Campina, já em adiantado estado de recuperaçãoEra 1995. A professora de ciências do Colégio Estadual Campina da Lagoa, em Campina da Lagoa (100 km ao sul de Campo Mourão), Eloísa Micena Machado Bonilha, recebeu um convite do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para inscrever seus alunos no Fórum Ambiental Infanto-Juvenil. Ela gostou da idéia, mas nem imaginava que acabaria transformando os estudantes numa espécie de ‘‘agentes ambientais’’.
Desde então, o colégio mantém um grupo de alunos que ajuda o IAP na fiscalização e na conscientização dos produtores rurais sobre a importância de se manter a mata ciliar (marginal de rios, lagoas e lagos). Juntamente com técnicos do órgão ambiental, os estudantes visitam propriedades, conversam com os agropecuaritas, distribuem mudas e depois chegam a fiscalizar o plantio das espécies nativas. ‘‘Ninguém quer sair do grupo’’, comemora a professora Eloísa.
Ninguém quer, mas é preciso sair. Como o Fórum Infanto-Juvenil só aceita trabalhos de alunos com até 16 anos, quem completa 17 sai para dar a vez para outro. ‘‘O aluno sai, mas não perde a consciência ambiental’’, frisa a professora. Na época em que recebeu o convite, Eloísa resolveu fazer um trabalho sobre os córregos que fornecem água para Campina da Lagoa.
O trabalho dos alunos poderia ter passado despercebido se o IAP não estivesse iniciando um trabalho de reposição da mata ciliar no córrego Água da Campina. Por isso, a apresentação do colégio chamou a atenção dos técnicos ambientais, que resolveram unir o útil ao agradável, e convenceram a professora e seus alunos a ampliar o trabalho no ano seguinte. A partir daí, começaram visitas a 45 propriedades rurais ao longo do córrego.
‘‘O projeto acabou virando uma monografia’’, orgulha-se a professora. E deu resultados. O colégio se classificou na etapa regional do Fórum Infanto-Juvenil e ganhou o direito e apresentar o trabalho em Foz do Iguaçu, na etapa final do evento. Mais: no final do mês passado, o trabalho atraiu até Campina da Lagoa o secretário de Estado do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura, que participou do plantio de mais 500 mudas nativas e da soltura de alevinos (filhotes de peixe) na Água da Campina.
Boas notas A visita do secretário também foi marcada com uma passeata ecológica que reuniu cerca de 700 pessoas. A grande maioria era estudantes. ‘‘Se pudesse, a escola toda participaria do projeto’’, diz Eloísa. Com isso não é possível, hoje 12 alunos, da quinta série até o 1º ano do 2º grau, fazem parte do grupo de conscientização. Eles são escolhidos de acordo com as notas e com a participação em sala de aula.
‘‘É um trabalho que faz bem para a consciência e para o meio ambiente’’, diz a aluna Kellen Daiana Lima Dei, de 13 anos. Ele está na 8ª série e está no projeto desde o início. ‘‘Os produtores estão tomando consciência’’, completa. Ele lembra, no entanto, que chegou a visitar agricultores que não gostaram muito da idéia. ‘‘Eles ficavam bravos e não atendiam a gente muito bem’’. Nem por isso, no entanto, alguém pensou em desistir.
‘‘Além dos donos de sítios, nós também ganhamos consciência’’, frisa Mariana dos Santos Martins, 13 anos, 8ª série. ‘‘Hoje sabemos o que pode ser melhorado no meio ambiente e não ficamos mais de braços cruzados’’. Bruna de Cássia Pereira da Silva, 14 anos, aluna do 1º ano do 2º grau, diz que parte dos agricultores tinha preocupação com o meio ambiente, mas não sabia o que fazer. ‘‘Eles acabaram plantando as árvores da maneira que pedimos’’.
Os alunos, no entanto, não pararam por aí. Com o conhecimento que adquiriram trabalhando junto com os técnicos do IAP, passaram a percorrer outras escolas do município fazendo palestras sobre a preservação do meio ambiente e o perigo do uso incorreto de agrotóxicos. Para este ano, eles têm um novo desafio: vão voltar às 45 propriedades para fazer um levantamento da flora existente às margens do córrego Água da Campina.

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