Alunos conquistam vagas em universidade
Diante da média 2,8 na Prova Brasil em 2007, alto índice de evasão escolar e reprovação, além de um dos mais baixos índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado, a Escola Estadual Maria Cintra, em Tamarana, (62 km ao sul de Londrina), que atende de 5 a 8 e ensino médio, estava numa situação difícil. A escola também entrou no rol das beneficiárias do projeto Superação.
De acordo com a diretora Juliane Aparecida de Paula, com o recurso de R$ 31 mil, a escola conseguiu comprar materiais pedagógicos, estruturar laboratórios e implantar projetos. Hoje, oferece curso de espanhol gratuito para toda a comunidade, xadrez e leitura para os alunos no contraturno. ''Mas realmente só conseguimos os melhores resultados quando trouxemos a família para junto do filho na escola'', observa. Tanto é verdade, que os pais começaram a frequentar mais a instituição e a participar efetivamente da vida dos filhos.
Anete Goto tem dois filhos no ensino fundamental e defende que o desenvolvimento dos meninos foi um trabalho em conjunto com a escola. ''Os trago todos os dias à escola e aproveito para saber de tudo o que está acontecendo, como eles estão.'' Juntamente com o acompanhamento, um dos filhos participa de dois projetos da escola, de espanhol e leitura. ''Ele ficou muito mais expressivo. Oportunidades como essa são ótimas'', declara.
Mãe de dois alunos, Marineide Marcondes de Araújo, também credita o sucesso na educação dos filhos à união de esforços. ''Não adianta só a escola ensinar. Vejo que falta compromentimento dos pais de hoje. Muitos não querem cobrar, perguntar, enfim, participar da vida do filho. Será o trabalho em conjunto que vai contribuir para o bom resultado. Felizmente, tive sorte com meus filhos, no entanto, sempre procurei ser amiga deles.''
Vestibular
Com o início dos projetos e o trabalho para aproximar os pais da escola, os resultados começaram a aparecer. Em um ano, a média da escola na Prova Brasil foi para 4,3. Não bastasse essa melhora em tão pouco tempo, mais notícias boas estavam por vir. No começo deste ano, alguns alunos passaram na primeira tentativa em cursos concorridos em universidades públicas.
Lucas Marcondes de Araújo, filho de Marineide, foi uma dessas boas notícias. Nem bem terminou o ensino médio e já comemora aprovação em duas grandes universidades. O jovem, de 17 anos, ficou em primeiro lugar na classificação de escolas públicas para o curso de jornalismo na Univerdade Estadual de Londrina (UEL) e na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
''O ano passado foi tenso. Comecei a fazer cursinho e acabei deixando a escola um pouco de lado. O fato de minha mãe ter cobrado empenho fez a diferença. Agora, a expectativa está em começar o curso. Sei que vai ser outra realidade, uma mudança grande. Tanto por estar saindo do ensino médio direto para a universidade, quanto por ser de uma cidade pequena que, de certa forma, nos protege'', comenta Lucas.
Outra que comemora a aprovação é Angela Yoshiko Ota, de 17 anos, que também passou em jornalismo na UEL. ''Vai ser um ano totalmente novo e já estou programando as mudanças. Além de começar a estudar, quero trabalhar e fazer estágio'', afirma. Para o resultado ela lembra que o curso de espanhol e o apoio de toda a escola foram fundamentais. ''Se eu não tivesse feito o curso, dificilmente teria como pagar aula particular. Sei que meu esforço valeu muito, mas boa parte foi consequência do apoio que recebi aqui.''
Além dos dois futuros jornalistas, Jéssica Cláudia da Silva, 17 anos, foi aprovada em serviço social na UEL. Ela conta que também recebeu incentivo de toda a equipe da escola. ''Os professores até me mandavam material extra para reforçar os estudos. Se você se interessa, vai atrás, jamais eles vão se recusar a ajudar'', lembra a garota. Para o início da vida acadêmica, ela espera por várias mudanças. ''Um mundo novo está se abrindo e, por isso, a ansiedade é grande'', conclui. (M.T.)





