Alunos aprendem a conviver com as diferenças
Para os entusiastas da inclusão, o ingresso de alunos deficientes nas escolas regulares não visa somente a garantia de diplomas, mas a socialização. ''É na escola que as crianças aprendem a conviver com a diferença. Aquelas que têm deficiência crescerão mais autônomas, e as que não têm serão adultos com menos preconceitos'', aponta a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMDPD) de Londrina, Martinha Claret Dutra.
Há um consenso interessante entre os profissionais entrevistados pela Folha: eles afirmam que dificilmente os alunos demonstram preconceito em relação aos colegas deficientes. ''Até hoje nenhum aluno nosso que foi incluído no ensino regular teve problemas de socialização'', assegura a diretora da Apae, Maria Helena Santos Faleiros. ''As crianças não segregam. Quem tem preconceito é o adulto'', aponta a pedagoga Rosinéia Ferreira Fujita, da Escola Estadual Gabriel Martins (Zona Oeste de Londrina).
Em uma sociedade pautada pelo individualismo, a inclusão traz como contraponto a idéia de cooperação. Os alunos têm de aceitar o ritmo um do outro e colaborar com o aprendizado dos colegas. ''A inclusão muda um pouco o paradigma de competitividade'', assinala Maria Helena.
Um bom exemplo dentro do colégio está na turma de Álvaro Marcelo Smania, 14 anos. Estudante da 8 série, o adolescente que sofreu paralisia cerebral e sonha ser advogado diz que nunca se sentiu diferente dos colegas. Na sala de aula, ele chama a atenção por ser o único aluno a se sentar à frente de um computador, ferramenta que lhe facilita o registro de conteúdos. Os colegas já se acostumaram. ''Para nós é como se ele fosse normal. É um grande amigo meu, parece que conheço ele desde sempre'', diz o vizinho de carteira, Miguel Antonio Rodrigues, 14 anos. (V.N.)





