Alunos aguardam para usar computadores
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segunda-feira, 06 de agosto de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Larissa Carmo Pena, de 11 anos, moradora da Zona Norte de Londrina, nunca teve computador em casa e está ansiosa para usar os equipamentos que estão sendo instalados em sua escola através do Programa Paraná Digital, do Governo do Estado. Mas nem ela nem a direção do Colégio Estadual Professora Ubedulha de Oliveira, no Conjunto Luiz de Sá, sabem ao certo quando os computadores estarão disponíveis para os alunos. A mesma situação é vivida em outras escolas públicas da cidade.
''Os computadores chegaram no ano passado e ficaram uns seis meses encaixotados, até que fosse divulgado o cronograma de instalação. Ao serem ligados, percebemos que três CPUs, que devem alimentar quatro monitores cada, estavam com problemas. Agora estamos em contato com o Núcleo Regional de Educação (NRE) para que o conserto seja feito. Quero acreditar que os alunos possam utilizar as máquinas ainda este ano, mas não temos data definida'', explicou o diretor do colégio, Adão Nunes. A escola tem pouco mais de 1,3 mil alunos e recebeu 25 computadores - cinco deles para uso de funcionários
Outra escola em situação semelhante é a Ana Molina Garcia, na Vila Ricardo (Zona Leste), que aguarda a instalação de 24 computadores. ''É um número razoável de máquinas. Não dá para imaginar que teríamos um computador por aluno. Acho que está de bom tamanho'', argumenta o diretor do colégio, Jorgisnei Ferreira de Rezende. No Colégio Antonio Moraes de Barros, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), os 1,4 mil alunos também aguardam desde maio a instalação dos computadores.
A aluna Larissa, que cursa a 5 série, conta que o pouco que sabe de informática aprendeu com uma tia. ''Vai ser bom ter computador na escola para a gente poder pesquisar e fazer os trabalhos. A maioria dos meus amigos não tem computador em casa'', revela. Jheniffer Heloísa Rodrigues, de 11 anos, que também estuda no Ubedulha de Oliveira, acha que além da facilitar o aprendizado, a existência de um laboratório de informática na escola vai proporcionar melhor qualificação dos alunos para o mercado de trabalho. ''Todo mundo vai sair da escola sabendo usar computador'', imagina.
Porém um estudante universitário ouvido pela FOLHA, ex-aluno de escola pública, não vê o programa com o mesmo otimismo. Na escola em que ele estudava até o ano retrasado um laboratório de informática foi montado, mas em quase dois anos o jovem nunca teve acesso ao mundo virtual no ambiente escolar. ''Eles (direção) argumentavam que não tinha professor para dar aulas, que faltavam peças (algumas tinham sido roubadas e outras transferidas para os computadores da secretaria) e que os computadores estavam defasados.''
Para tentar evitar problemas como os citados acima o atual programa prevê, em uma de suas fases de implantação, a capacitação dos professores. A idéia é que eles usem os computadores como ferramenta pedagógica para tornar suas aulas mais ricas e atrativas. ''Cada professor e cada aluno vai ganhar login e senha, e cada escola terá seu próprio servidor'', informa Luiz Claudio dos Santos Cortez, técnico de suporte da Coordenação Regional de Tecnologia Educacional (CRTE) do Núcleo de Educação de Londrina.
Segundo Cortez, das 125 escolas abrangidas pelo NRE, metade já recebeu os computadores. O restante está em processo de licitação ou de construção dos laboratórios de informática. ''Existe um cronograma que tem que ser cumprido. Após a construção do laboratório, é feita a instalação pela empresa Positivo, que venceu a licitação. Antes dos equipamentos serem liberados para uso, o laboratório tem que passar por vistoria de um engenheiro da Secretaria de Educação. Na sequência é feita a capacitação dos professores.'' O técnico afirmou que as primeiras capacitações devem acontecer dentro de uma ou duas semanas.


