Alunos aguardam ansiosos pelo fim do horário de verão
Paulo Ubiratan
De Londrina
O horário de verão está atrapalhando a vida dos alunos que voltaram às aulas neste período. Eles saem de casa para a escola quando ainda está escuro e aguardam com ansiedade a volta do horário normal, no próximo domingo. É uma loucura este horário. A gente fica fora de órbita e ainda corre risco de ser vítima de ladrão. Saio de casa por volta das 6h30 para chegar no colégio às 7h30 e assistir à primeira aula, contou Rafael Kengi Nagashima, 14 anos, aluno do Colégio Marista.
O estudante Bruno Cesar do Prado Campos de Carvalho, 14 anos, diz que uma hora de sono que ele perde por ter de levantar mais cedo prejudica também a sua performance nas primeiras horas de aula. Fico meio dormindo e não consigo prestar atenção no professor. Esta horinha de sono que perco no horário de verão é de fundamental importância, tanto para estabilizar meus neurônios como para me sentir perfeitamente descansado, afirmou.
A estudante Laura Costa, 12 anos, diz que é obrigada a levantar às 5h30 para chegar com folga no Colégio Estadual Hugo Simas (centro), onde estuda no turno da manhã. Todo mundo se queixa deste horário, mas posso garantir que não me afeta em nada. Acho que é porque com apenas quatro horas de sono eu me recupero plenamente, afirmou. O seu grande problema é ter que esperar ônibus na escuridão (6h15) e fazer a sua mãe levantar da cama para preparar o café antes de ir para o colégio.
A aluna do Colégio Estadual Rui Barbosa (Vila Nova, área central), Letícia Rodrigues de Carvalho, 11 anos, não se queixa da situação e diz que a única coisa que sente é um pouco de sono logo que acorda. Mas depois fica tudo bem.
A dona de casa Lurdes Carnavalli, que acorda às 5 horas, diz que se sacrifica muito pelos filhos e que o horário de verão é o principal vilão. Nos primeiros dias fico andando dormindo pelos cantos da casa. Depois de uma semana o estresse diminui mas, mesmo assim, não consigo me acostumar. Agora que está chegando o fim do horário, estou um bagaço. Parece que acumulei este cansaço durante todo o famigerado horário de verão.
A estudante Áurea Carnavalli mora na zona norte e estuda no Colégio Vicente Rijo (centro) pela manhã. Depois que sai da escola, segue para o trabalho (ela é babá), retornando somente à noite para casa. Seus dois irmãos trabalham em um escritório de contabilidade durante o dia e estudam à noite. As nossas vidas são muito sacrificadas e culpo este horário imposto pelo governo. Pode ser bom para a economia do País, mas muito ruim para o povo, principalmente para o pobre, criticou Áurea.
A esperança de melhorar de vida, dizem Áurea e os irmãos, começa com o fim do horário de verão. Leva mais uma semana para se acostumar, mas vai ficar bem melhor para todo o mundo atrasar o relógio em uma hora, comentou Antonio Carnavalli. (Leia mais sobre o assunto no Folha Economia)





