Alunos aderem à campanha nacional pelo desarmamento
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quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Luka Morais Londrina 
Mário CésarCausa justaAlunos reproduzem, com as mãos, o símbolo da paz: campanha chega ao interior do Estado Sou da Paz. Estudantes do Colégio Marcelino Champagnat de Londrina cruzaram as mãos e uniram os polegares, formando o desenho da pomba da paz, símbolo da Campanha dos Estudantes pelo Desarmamento. A campanha, lançada em nível nacional no dia 11 de agosto em São Paulo, ganha a adesão dos estudantes de Londrina. Reunidos no salão nobre do colégio, os barulhentos secundaristas - que dias atrás conviveram com as brigas entre grupos do colégio, que entraram em choque com alunos do Colégio Vicente Rijo -, manifestaram apoio à iniciativa.
O lançamento da campanha do desarmamento no Champagnat foi estratégica. O presidente da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (Ules), Ronaldo Domingues, disse que a intenção ao escolher um dos colégios envolvidos na briga entre grupos de alunos foi de desmistificar o problema. Ele criticou o emprego do termo gangue, usado pelos meios de comunicação ao definir os grupos que se rivalizaram. Quando se fala em gangue se pensa em marginal. O que houve foi uma encrenca entre alunos.
O vice-presidente regional da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Alessandro Safraide, explicou que a campanha pelo desarmamento chega ao interior do Estado tendo em vista a criação de comitês representando todos os segmentos da sociedade. Os comitês irão definir as estratégias a serem adotadas em cada localidade. Pode ser desde palestras até campanhas contra armas de brinquedo. O importante é conscientizar as pessoas para o fim da violência.
O diretor do Champagnat, Fortunato Zani Neto, aprovou a iniciativa dos alunos. Vivemos em um mundo violento. Vemos a violência dentro das escolas, como a briga entre alunos. Todos queremos a paz.
O diretor do Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL), Walmor Carradore, que também participou do lançamento da campanha, considera necessárias ações pela paz. A violência entre alunos, diz ele, tem obrigado o colégio a gastos extras. Tive que contratar seguranças para a feira de ciências do próximo sábado.
Com a ajuda de seguranças, o diretor espera evitar problemas semelhantes ao enfrentado por outra escola estadual dias atrás. No colégio Newton Guimarães, a feira de ciências acabou em briga. O problema foi causado por visitantes.
Representando o Ministério Público, a promotora Solange Novaes Vicentin acredita que uma das causas da violência juvenil é a desestruturação familiar. O jovem acaba buscando as drogas e encontra a violência. A promotora alerta os pais: quando notarem que seus filhos estão convivendo com gangues ou consumindo drogas, busquem ajuda junto ao Conselho Tutelar e também na Vara da Infância e Juventude.
A estudante da 7ª série do Colégio Marcelino Champagnat, Mariana Torres, 13 anos, considera importante a campanha pelo desarmamento. Ela acha que os jovens estão violentos e que a causa pode estar relacionada aos problemas em família. Eles acabam querendo se mostrar. Ficam violentos na escola, com os outros. Mas eu acho que em casa eles são diferentes.
Mariana Torres comenta que a briga entre alunos do Colegio Marcelino Champagnat com os do Colégio Vicente Rijo arranhou a imagem da escola. Por causa de um aluno, todos os outros levaram a fama de violentos, de briguentos.
Aluna da 8ª série e integrante do grêmio estudantil do Champagnat, Paula Silveira Buosi também apóia a campanha de desarmamento dos estudantes. A violência é grande e a gente fica preocupada com a situação. Até entre colégios está tendo briga. É demais.
A Campanha dos Estudantes pelo Desarmamento terá duração de um ano. Nos próximos dias, deverá ser levada a Cascavel (oeste do Estado). Para novembro, está programado o lançamento de uma revista com manifesto pela paz. O lançamento será feito durante congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), que acontece de 12 a 16 de novembro, em Juiz de Fora (MG).


