Aluno sem uniforme é retirado de sala de aula
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terça-feira, 04 de março de 1997
Luka Morais 
Mário CésarSatisfaçõesTelma Amorin e a filha Aline com a orientadora educacional Dálgima Favoreto: atitude rigorosaVários alunos da Escola Estadual Hugo Simas, localizada na rua Pio XII, Centro de Londrina, que estavam sem o uniforme escolar foram retirados das salas ontem de manhã e só puderam assistir às aulas após providenciarem o vestuário.
A medida, contrária à orientação do Núcleo Regional de Educação, acabou revoltando pais de alunos. A direção da escola alega que a obrigatoriedade do uso do uniforme foi aprovada pelo Conselho Escolar e consta do regulamento da escola, assinado pelos pais no ato da matrícula.
O representante comercial Mauro Martiniano de Melo e sua mulher, Swaine, pais de Sara, 14 anos, aluna do 1º Colegial que estava sem o uniforme, criticaram a atitude da direção do colégio. Estão discriminando os alunos. Não podem fazer isso, diziam nervosos. Eles foram ao colégio após serem informados pela estudante de que teria que deixar a sala de aula.
Para Melo, o valor da camiseta comercializada pela escola é alto. Estão tendo lucro. Isso virou comércio, dizia, referindo-se ao preço da camiseta vendida a R$ 8,50. E tem mais os livros que custam R$ 200,00, acrescentou. A estudante teve acesso à sala de aula depois de comprar o uniforme. Comprei a camiseta de R$ 2,00, disse a mãe.
Com quatro filhos estudando no Hugo Simas, a dona-de-casa Telma Amorin, que também esteve ontem de manhã no colégio, esclareceu que é favorável ao uso do uniforme mas não concorda com a atitude rigorosa da direção do colégio. Ela lembra que, no ano passado, os alunos puderam frequentar as classes no início do período letivo trajando camiseta branca sem o emblema do colégio.
A dona-de-casa explicou que precisa comprar no mínimo duas camisetas para cada filho. Como são quatro, terá que desembolsar R$ 68,00 só de uniforme. Eu vou comprá-las mas meu marido só recebe o pagamento no dia 10, disse Telma Amorin. Ela já encomendou as camisetas em outro lugar que, conforme informou, cobrará a metade do preço.
Mauro de Melo acusou a orientadora educacional de ameaçar sua filha. Ela disse que era uma pena o que estávamos fazendo com nossa filha. Vamos ficar atentos para que não haja qualquer represália, avisou.
A orientadora educacional Dálgima de Oliveira Favoreto afirmou que houve um mal-entendido. Eu disse que, por ser aluna nova, era uma pena que estivesse ocorrendo tudo aquilo no primeiro dia de aula. Que impressão ela vai ter do colégio?
A orientadora informou que vários alunos foram retirados da salas e se dirigiram às suas casas para colocar a camiseta. Outros, que levaram as camisetas dentro das mochilas, retornaram após colocá-las. Vários alunos que disseram não ter condições de comprar as camisetas foram até a cooperativa retirá-las. Pagam quando puder, disse Dálgima Favoreto. A escola também empresta camisetas para os alunos. Este ano está sendo permitido o uso de calça preta, a pedido dos estudantes.
Dálgima Favoreto afirmou que todo dinheiro arrecadado com a venda de material pela cooperativa retorna ao colégio, na forma de livros e outros investimentos. Ela afirma que a obrigatoriedade do uso da camiseta com emblema do colégio foi aprovada pelos pais. Essa foi, segundo ela, a solução para evitar entrada de estranhos no colégio. Temos mais de 2 mil alunos e nos preocupamos com a segurança deles.


