Marcos BorgesTroca de nomesHélio da Silva e a lista em que aparece o nome do filho Rafael como aprovado no vestibular de Psicologia: eles vão entrar com medida judicial requerendo a matrícula na faculdade e podem pedir indenização por danos morais



O estudante Rafael Augusto de Castro Silva, de 23 anos, vai entrar na Justiça com mandado de segurança ou medida cautelar requerendo o direito de se matricular no curso de Psicologia no Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon). Rafael vai apresentar à Justiça uma lista impressa que estava no site do Cesulon na Internet, na sexta-feira da semana passada, em que consta seu nome como aprovado. Na tarde de sexta-feira, quando o Cesulon divulgou a nova lista, Rafael não estava mais entre os aprovados. Ele obteve a lista ontem. Hoje, o advogado vai analisar que ação deve mover contra a faculdade.
Segundo o pai de Rafael, o comerciante Hélio Augusto da Silva Júnior, o resultado do vestibular deve ser encarado com seriedade pela faculdade. ‘‘O Cesulon deve colocar os fatos em pratos limpos. Como vamos saber qual lista é a verdadeira?’’, questiona. Segundo Hélio da Silva, a faculdade terá que provar que a lista estava errada mostrando a correção das provas de Rafael. ‘‘Se ele realmente não obteve as notas necessárias para ser aprovado, vamos requerer indenização por danos morais’’. Rafael até raspou a cabeça.
Eleazar Ferreira, diretor administrativo do Instituto Filadélfia - mantenedor do Cesulon -, e o presidente da instituição, Getúlio Kakitami, estiveram ontem na Folha para explicar que houve um erro de computação na divulgação do resultado do vestibular. De acordo com Kakitami, o Cesulon usou pela primeira vez a leitura ótica para apurar o resultado das provas. Esse sistema permite a leitura de 1.500 cartões-respostas por hora, segundo Kakitami. ‘‘Com essa velocidade, o resultado acabou indo para a Internet antes da hora’’, explica Kakitami.

Diretores do
Cesulon dizem
que leitura ótica
levou a erro


Ferreira diz que o erro técnico acabou gerando a lista com nomes de vestibulandos que tiveram nota zero ou abaixo do índice de classificação. ‘‘Uma vez constatado o erro, os dados foram compilados novamente e saiu uma lista corrigida’’, diz Ferreira. Ele apresentou as notas de Rafael e de Fernanda de Sá mostrando que ambos não obtiveram média para serem aprovados nos cursos a que concorriam. Conforme matéria publicada ontem na Folha, Fernanda perdeu uma vaga na Unopar por não ter feito matrícula, achando que não havia passado no Cesulon. O pai de Rafael fala que no caso de Fernanda cabe indenização também por danos materiais, já que a estudante perdeu a vaga na Unopar.
Se o Cesulon for acionado na Justiça, Ferreira afirma que vai lançar mão de um parecer do Ministério da Educação, segundo o qual, se for constatado erro na lista de resultado de vestibular, a instituição deve cancelar o resultado errado e fazer valer o correto. ‘‘Vamos alegar que os nomes que foram trocados na segunda lista não obtiveram nota para aprovação. Infelizmente aconteceu isso. Pais e alunos que procuraram o Cesulon receberam essa explicação.’’

mockup