Aluno é 'recebido' com socos e chutes
Um dos casos mais graves de violência dentro da escola, este ano em Londrina, foi registrado no Colégio Estadual Newton Guimarães, instituição tida como referência em qualidade na rede pública de ensino. No dia 16 de fevereiro, 10 dias após o início do ano letivo, um garoto de 10 anos foi envolvido involuntariamente na brincadeira conhecida como 'passou-levou'. Enquanto seguia para o pátio, deixou que a bola passasse no meio de suas pernas. Pelo ''erro'', foi atacado por cerca de 20 alunos - alguns bem maiores que ele - com chutes e socos.
O passatempo era conhecido pela maioria dos alunos do colégio, mas não para o garoto, recém-saído de uma escola municipal e que havia perdido a primeira semana de aula por ter contraído dengue. Quando tentava chegar à sala da direção para pedir socorro, um dos garotos maiores baixou suas calças.
A violenta recepção ao novo aluno deixou marcas físicas e emocionais. ''Meu filho estava todo vermelho, com o uniforme rasgado e havia perdido dois dentes. Mesmo assim não imaginei que a violência tivesse sido tão grande. No dia seguinte fiquei desesperada. Ele acordou cheio de hematomas e com inchaço no baço. Foi quando resolvemos procurar o Ciaadi (Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator) para registrar ocorrência e o IML (Instituto Médico Legal) para fazer exame de corpo de delito'', conta a mãe
Hoje ele ainda tem dois dentes que ameaçam cair e um trauma que tenta superar com acompanhamento psicológico. A exemplo da irmã mais velha, que também estuda no colégio, o menino relutou em voltar à instituição, mas a recomendação, tanto da psicóloga como da Promotoria da Infância e Juventude, foi que retornasse como forma de contornar o problema.
Hoje, o caçula - o mais carinhoso dos três irmãos - tem assumido comportamentos agressivos. Para driblar a revolta da família, a dona de casa providenciou camisetas estampadas com as frases ''Paz nas escolas'' e ''A próxima vítima pode ser o seu filho!'' que todos usam frequentemente.
A mãe diz estar decepcionada com a direção do colégio, onde ela também estudou. ''Eles sequer chamaram a Patrulha Escolar, que seria o procedimento correto.'' De acordo com o advogado da família, Willy Edilson Lucinger, a Polícia Militar foi acionada só mais tarde. ''Teria sido importante acionar a Patrulha Escolar para que os envolvidos fossem encaminhados à Delegacia do Menor. Mas talvez a Patrulha não tenha sido chamada justamente para poupar os agressores.'' Como a família formalizou a denúncia, um inquérito foi instaurado na esfera criminal. (S.L.)





