Dorico da SilvaConclusãoJosé Onésio Ramos: ‘A Espanha tem muito a nos oferecer’‘‘Foi uma oportunidade maravilhosa para aprender, ter uma visão mais realista e profunda da América Central e trocar experiências com estudantes de todo o mundo.’’ A avaliação é do estudante do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Onésio Ramos, 26 anos. Ele acabou de voltar de um curso de dois meses na Universidade de Salamanca (Espanha), pelo programa Intercampus, que promove intercâmbio entre a UEL e universidades de outros países.
Ramos participou do curso de Ciências Políticas, no Instituto Iberoamérica e Portugal e, durante a sua permanência, foi convidado a dar aulas sobre a evolução da política e da história brasileiras. Ele conta que a Espanha dispõe dos trabalhos acadêmicos produzidos por brasileiros. ‘‘Nossos profissionais e estudantes têm procurado mais a França para cursos de pós-graduação. O que é uma pena, porque a Espanha também tem muito a oferecer’’, comenta.
Ramos conclui que, seja qualquer for o país de origem, as preocupações e temas polêmicos da universidade são os mesmos. ‘‘Todos estão em crise. Estão assustados com os efeitos do neoliberalismo e com a perda do bem-estar social conquistado. O que muda é a forma como cada governo tenta resolver seus problemas sociais’’, diz.
A qualidade de vida dos espanhóis aposentados chamou a atenção do estudante . ‘‘Lá o aposentado mantém a dignidade.’’ Escolhido entre vários candidatos à bolsa na Espanha, ele só conseguiu fazer o curso porque recebeu ajuda de professores da UEL, empresários e políticos.
A política de educação em outros países também surpreendeu o estudante. Ele explica que na Espanha - assim como em outros países europeus - os cursos de graduação são mantidos pelo governo através de bolsas de estudo. Muitos colegas de José Onésio Ramos disseram ser ‘‘estudantes profissionais’’ - em seus países de origem não há emprego, mas os governos pagam para que a pessoa continue se aperfeiçoando. ‘‘A crise é a mesma, mas a visão dos governos é outra. Longe do que se vê no Brasil. Aqui, para os menos abastados, concluir os estudos básicos é um ato de heroísmo.’’
José Onésio Ramos pretende voltar para a Espanha ou em fazer um curso de mestrado fora do Brasil. Mas adianta que, agora, sua prioridade é terminar a graduação em Ciências Sociais e encontrar emprego. ‘‘Meus planos são mais realistas. Vou fazer mestrado, mas para isso preciso garantir a minha sobrevivência.’’

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