Dicas para enfrentar uma entrevista de emprego. Um curso básico que poderia significar uma oportunidade de mudança de vida para jovens pobres. No entanto, cinco dos 30 estudantes habilitados foram recusados pelo mesmo motivo: falta da carteira de identidade. A consequência, de acordo com a presidente da entidade promotora das aulas, Rosalina Batista, é trágica. Pelo menos três dos jovens recusados foram parar no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Os cinco que participaram do curso hoje estão empregados.
A história demonstra a importância do RG, principal documento de identidade no País. Uma lei aprovada em 2004 (que ainda precisar ser regulamentada) torna obrigatória a apresentação do documento para matrícula em creches e escolas estaduais. Mas a dificuldade de pessoas de baixa renda em ter acesso ao documento motivou um encontro ontem na Câmara Municipal.
Os principais problemas apontados foram o preço de emissão da primeira via (R$ 9,71), fora o custo da foto, e a falta de estrutura do Instituto de Identificação em Londrina. A diretora da instituição, Edelma Mendes dos Anjos, comprometeu-se em mandar para Curitiba a sugestão de disponibilizar atestados para quem não pode pagar ter isenção da taxa. Serão contemplados estudantes cuja renda familiar não ultrapasse três salários mínimos. ''O direito já é garantido por lei, mas muitos nem sabem que têm esse direito'', afirmou Edelma.
A estrutura deficiente do órgão também foi alvo de críticas. Em Londrina, são oito funcionários. A média de carteiras de identidade emitidas era de 60 por dia antes da lei e hoje chega a 200. A espera pelo documento é de 30 dias. Porém, quem deu entrada no pedido antes de 1º de agosto, data do início do processo de informatização do órgão, pode aguardar até seis meses para recebê-lo.
As autoridades garantiram que o estudante sem o documento poderá efetuar a matrícula. ''O objetivo não é dificultar o acesso à escola, mas garantir que toda criança tenha identificação'', explicou a deputada estadual Arlete Caramês (PPS), autora do projeto. ''E os candidatos ao curso não tinham carteira de identidade por falta de dinheiro. E foi essa dificuldade que jogou aqueles jovens no mundo do crime'', constatou a presidente da Associação das Mulheres Batalhadoras, Rosalina Batista.

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